Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Produção industrial recua 9,1% no primeiro semestre, pior resultado desde 2009

Apesar da forte queda no ano, a produção subiu 1,1% em junho ante maio, a maior para o mês desde 2013, quando subiu 3,5%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 09h36

RIO - Nos seis primeiros meses de 2016, a produção industrial brasileira recuou 9,1%, o pior primeiro semestre desde 2009 (-13%), segundo informou nesta terça-feira, 2, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho ante maio, por outro lado, a produção industrial subiu 1,1%, na série com ajuste sazonal. O resultado foi a alta mais acentuada para o mês nessa base de comparação desde 2013 (+3,5%). 

No segundo trimestre, a queda na produção foi de 6,7% ante o mesmo período do ano passado, também o pior resultado para um segundo trimestre desde 2009, quando caiu 11,9%. 

O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma expansão de 0,50% a 3,10%, com mediana positiva de 1,20%.  Em relação a junho de 2015, a produção caiu 6,0%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de retração de 7,30% a 4,20%, com mediana negativa de 6,30%.

Segundo o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, a indústria mostra melhora gradual ao longo dos últimos quatro meses, mas o avanço deve ser relativizado, por acontecer em cima de uma base de comparação muito baixa.

A indústria ainda opera em patamar semelhante ao de fevereiro de 2009, época da crise financeira internacional. A indústria está 18,4% abaixo do pico registrado em junho de 2013. "Ou seja, mesmo com crescimento, ainda assim a gente está operando num patamar muito distante do pico da série histórica", disse o pesquisador.

Segundo Macedo, o ritmo mais intenso de perdas parece ter ficado para trás. A melhora gradual registrada mais recentemente está relacionada ao avanço na confiança dos empresários, à regularização de estoques e à alta nas exportações.

"Tem relação importante com alguma melhora do ambiente econômico, com um pouco de redução de incertezas, com uma normalização do nível de estoques, com aumento nas exportações", citou. "Mas quando a gente compara com o ano anterior, a indústria permanece com seu comportamento negativo", alertou Macedo.

 

Setores. A produção industrial acumulou um avanço de 3,5% nos últimos quatro meses de resultados positivos. A alta registrada em junho ante maio teve perfil disseminado de crescimento: 18 dos 24 ramos investigados tivera aumento na produção. A principal influência positiva foi da atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias, que registraram crescimento de 8,4%, resultado superior à expansão de 5,5% verificada no mês anterior. 

Outras contribuições positivas importantes foram dos segmentos de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (4,7%); metalurgia (4,7%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (9,8%); artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (10,8%); produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,4%); e produtos de borracha e de material plástico (2,4%).

Na direção oposta, os ramos que mais impactaram negativamente o desempenho da indústria foram produtos alimentícios (-0,7%); bebidas (-2,6%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,6%); e celulose, papel e produtos de papel (-2,0%).

A produção da indústria de bens de capital subiu 2,1% em junho ante maio. Na comparação com junho de 2015, o indicador mostra queda de 3,9%. No acumulado de 2016, houve redução de 20,1% na produção de bens de capital. Em 12 meses, o resultado é de retração de 26,2%.

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou alta de 1,2% na passagem de maio para junho. Na comparação com junho de 2015, houve recuo de 2,9%. No acumulado do ano, a queda é de 6,7%, enquanto a taxa em 12 meses é de recuo de 8,8%.

Revisões. O IBGE revisou o dado da produção industrial do mês de maio ante abril, de 0,0% para 0,4%. O resultado de abril ante março também foi revisto, de 0,2% para 0,5%, enquanto o de março ante fevereiro saiu de 1,4% para 1,6%.

A produção de bens intermediários também foi revisada, de -0,7% para -0,5% em maio ante abril. Já a fabricação de bens de consumo duráveis no período saiu de 5,6% para 6,0%, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis passou de -1,4% para -1,3%.

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