Produção industrial recua em 27 de 30 setores, diz CNI

Apesar dos incentivos do governo, o índice de produção de veículos automotores, borracha e móveis ficou abaixo de 40 pontos em junho, segundo a Sondagem Industrial apresentada nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pelo levantamento, a produção recuou no mês passado em 27 dos 30 setores analisados e ficou abaixo do usual para o período em 23 deles. A sondagem é medida por um termômetro que vai de 0 a 100 pontos, com a marca de 50 pontos sendo a linha divisória entre crescimento e contração da atividade.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

24 de julho de 2012 | 13h09

O índice de utilização da capacidade instalada efetiva em junho em relação ao usual recuou mais de cinco pontos nessa escala para os setores de Limpeza e Perfumaria (-8,5 pontos), calçados e suas partes (-5,5 pontos) e extração de minerais metálicos (-5,1 pontos).

No mês passado, apenas 2 dos 30 setores conseguiram eliminar o acúmulo de estoques indesejados: extração de minerais metálicos e máquinas e equipamentos. Outros 19, porém, apresentaram estoques em excesso. Nenhum setor da indústria da transformação mostrou satisfação com o lucro e apenas poucos mostraram que estão em uma fase de boa situação financeira, como o de químicos (exceto limpeza e perfumaria), derivados do petróleo, couros, alimentos e reparação.

O fato de o acesso ao crédito permanecer mais difícil que o normal para toda a indústria foi apontado pelo economista da CNI, Renato Fonseca, como um dos maiores problemas para esse quadro hoje. "O crédito tinha praticamente voltado à normalidade em 2010, principalmente nas grandes empresas, mas voltou a cair novamente", considerou.

Exportações

Os industriais brasileiros estão mais pessimistas em julho em relação à quantidade de produtos a ser exportada, revela a Sondagem Industrial da CNI. De acordo com o levantamento, as expectativas situam-se em 53,9 pontos este mês. Em junho, esse indicador estava em 55,3 pontos. Apesar da piora, as expectativas estão melhores do que há um ano, quando o índice estava em 47,6 pontos.

Também piorou, de acordo com a sondagem, as estimativas em relação à demanda. O indicador estava em 53,9 pontos em julho ante 55,3 pontos em junho e 47,6 pontos em julho do ano passado. A projeção em relação ao número de empregados também apresentou leve queda no período, passando de 52,1 pontos em junho para 51,4 pontos em julho - 54 pontos em julho de 2011.

Os empresários ouvidos mantiveram, no entanto, as expectativas em relação à compra de matérias-primas de junho para julho em 55,9 pontos - há um ano estava em 58,1 pontos.

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