Produção industrial reduz ritmo em 11 de 14 regiões

A produção industrial registrou "desaceleração" em 11 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE, conforme dados divulgados hoje pelo órgão do governo. Segundo o IBGE, os "indicadores regionais da produção industrial mostraram que a desaceleração no ritmo produtivo, observada nos índices nacionais na passagem do quarto trimestre de 2004 (6,3%), para o primeiro trimestre de 2005 (3,9%), se refletiu também na maioria (11) dos 14 locais pesquisados. As regiões que apresentaram avanço no ritmo de crescimento entre esses dois períodos foram: Amazonas, onde a taxa passou de 11,6% para 14,2%, seguido por Minas Gerais (de 5,4% para 7,0%) e Pernambuco (de 1,8% para 3,3%). A forte presença dos segmentos de bens de consumo, tanto duráveis quanto não duráveis, explica o bom desempenho desses locais, acrescenta o IBGE. O Rio Grande do Sul registrou queda de 3,7% na produção industrial no primeiro trimestre deste ano, comparado a igual período do ano passado. A média geral do Brasil ficou em 3,9%, o que é quase metade dos 6,3% computados no último trimestre do ano passado, assinalando a segunda queda trimestral consecutiva no País. No primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano passado a produção industrial brasileira registrou crescimento de 6,5%, 10,0% e 10,4%, respectivamente, em relação a igual período do ano anterior. Das 14 regiões pesquisadas pelo instituto de pesquisa, a região gaúcha foi a única a registrar queda, mas o resultado do primeiro trimestre está em linha com o registrado nos últimos meses do ano passado. No quarto trimestre de 2004, a produção gaúcha registrou crescimento de 2,6%. Em Santa Catarina houve aumento de 8,7% e no Paraná de 5,0%. Esses números são inferiores aos registrados no quarto trimestre de 2004, mas estão acima da média nacional. Pelos dados do IBGE, a região brasileira com melhor desempenho industrial no trimestre passado foi o Estado do Amazonas. O aumento de 14,1% no índice mensal é explicado sobretudo pelo desempenho positivo de sete dos onze setores pesquisados. O principal impacto veio de material eletrônico e equipamentos de comunicações (30,5%), segmento de forte peso na estrutura industrial e que vem se beneficiando da sustentação das vendas externas, principalmente de telefones celulares. Também merecem destaque, outros equipamentos de transporte (11,3%) e edição e impressão (52,8%), devido ao incremento, principalmente, dos itens motocicletas; e fitas de vídeo e CDs. Outra região com forte crescimento no primeiro trimestre foi Minas Gerais, com aumento de 7,0% sobre igual período de 2004. No quarto trimestre a taxa havia sido de 5,4%, o que sinaliza aceleração na produção industrial mineira. Quatro ramos destacadamente apresentaram taxas positivas, cabendo o maior impacto a refino de petróleo e produção de álcool (30,2%). Logo a seguir vieram indústrias extrativas (10,1%), produtos de metal (33,9%) e outros produtos químicos (22,4%). A região Nordeste também apresentou desempenho superior à média nacional, embora também tenha registrado desaceleração no trimestre. A taxa do trimestre passado ficou em 6,9% (sobre igual período de 2004), abaixo dos 10,9% do último trimestre de 2004. Além do Rio Grande do Sul, os Estados que ficaram abaixo da média nacional foram o Rio de Janeiro com crescimento de apenas 1,0% sobre o primeiro trimestre de 2004. A região sofre influência direta das atividades de exploração de petróleo por parte da Petrobras, que registraram declínio nos últimos meses. Pernambuco e Bahia também ficaram abaixo da média nacional, com taxas de 3,3% e 3,4%, respectivamente. A Bahia vinha de um período de forte expansão (15,5%), enquanto em Pernambuco o ritmo já era mais desde o segundo semestre de 2004. São Paulo A indústria de São Paulo registrou ligeira desaceleração no primeiro trimestre de 2005, em relação a igual período do ano passado, mas ainda está acima da média nacional. Segundo os dados do IBGE divulgados na manhã de hoje, o índice trimestral paulista ficou em 5,2%, abaixo dos 8,8% computados no quarto trimestre de 2004 e de 16,5% registrados no terceiro trimestre. Esses indicadores estão acima da média nacional, que ficaram em 3,9%, 6,3% e 10,4%, respectivamente. Em março, segundo o IBGE, a indústria de São Paulo, com expansão de 2,0% em relação a igual mês do ano anterior, mostrou desempenho superior ao observado no total do País (1,7%). Esse crescimento pode ser explicado pelo comportamento positivo de 14 das 20 atividades pesquisadas. Os setores que mais influenciaram o desempenho global foram farmacêutica (26,0%), máquinas e equipamentos (8,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,2%). Por outro lado, entre os seis ramos em queda, destacaram-se refino de petróleo e produção de álcool (-10,9%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-9,7%) e edição e impressão (-6,7%). Na análise trimestral contribuíram para esse resultado, com destaque para os recuos assinalados em material eletrônico e equipamentos de comunicações, que passou de 37,5% no período outubro-dezembro de 2004 para -11,4% em janeiro-março de 2005, veículos automotores (de 23,6% para 4,8%) e alimentos (de 9,5% para -1,7%). Ainda segundo o IBGE, o crescimento do indicador acumulado no ano (5,2%) foi influenciado, sobretudo, pela performance positiva de 16 setores. Nesta comparação, farmacêutica (35,0%) e máquinas e equipamentos (13,3%) também representaram as principais contribuições positivas no cômputo geral, seguidas por edição e impressão (15,4%), enquanto refino de petróleo e produção de álcool (-7,1%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-11,4%) foram os impactos negativos mais significativos, observa o IBGE.

Agencia Estado,

11 Maio 2005 | 09h49

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