JONNE RORIZ/AE
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Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Produção industrial registrou alta de 0,5% em fevereiro, segundo o IBGE

Dados, porém, ainda não capturam os efeitos da crise provocada pelo coronavírus, que forçou paradas de produção a partir de março

Vinícius Neder, Cícero Cotrim e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 18h46

RIO e SÃO PAULO - Antes da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus estar totalmente instalada, a produção industrial brasileira avançou 0,5% em fevereiro ante janeiro, informou nesta quarta-feira, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da alta, acima das projeções de analistas do mercado financeiro, a queda na produção de equipamentos de informática e eletroeletrônicos já mostrava os primeiros efeitos da pandemia. 

Segundo pesquisadores do IBGE e economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a pandemia já atinge a indústria como um todo desde meados de março, com paradas de produção e férias coletivas nas fábricas. O quadro deverá piorar nos próximos meses, contribuindo para uma retração na produção, num quadro de recessão na economia. 

“Depois do coronavírus, o dado (de fevereiro) é retrovisor, e não muda o cenário de contração do PIB (Produto Interno Bruto) do ano por causa da parada forçada da atividade”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, que projeta retração de 1,5% na economia em 2020. 

Para Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil, a produção industrial deverá ser atingida mais fortemente a partir de abril. “As medidas de isolamento vão afetar os serviços, derrubar a demanda e, por consequência, a produção industrial”, afirmou o especialista. 

Os primeiros sinais de desempenho negativo em março já começaram a aparecer. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Industrial do Brasil recuou para 48,4 pontos em março, ante 52,3 em fevereiro, informou também nesta quarta-feira, 1º, a consultoria IHS Markit. Foi a maior queda do índice desde fevereiro de 2017. Como está abaixo de 50 pontos, o PMI Industrial de março indica piora na percepção das empresas com o ambiente de negócios na comparação com o mês anterior. 

Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, em fevereiro, os efeitos da covid-19 ficaram restritos à indústria de informática e eletroeletrônica por causa da falta de matérias-primas vindas da China, primeiro país atingido pela nova doença. Sem os componentes necessários para fabricar seus produtos, o setor viu sua produção cair 5,8% ante janeiro e 10,6% sobre fevereiro de 2019. 

“É uma atividade que tem correlação com importação de matérias-primas da China”, afirmou Macedo, lembrando que, em fevereiro, o país asiático já estava adotando medidas de isolamento social e fechando fábricas. 

Como, no Brasil, ainda não havia medidas de isolamento social em fevereiro, não foram registrados impactos relevantes em outros segmentos.  

“Em março, já se observa o fechamento de unidades produtivas, com concessão de férias coletivas e medidas de isolamento social. É claro que isso vai trazer impactos negativos para a indústria como um todo”, afirmou Macedo. 

Para piorar, mesmo com a alta acima do esperado por analistas em fevereiro, o pesquisador do IBGE já não via uma “trajetória clara de recuperação” da produção industrial. Segundo Macedo, o desempenho positivo no início do ano (alta acumulada de 1,6% no primeiro bimestre) não superou as quedas de novembro e dezembro (2,5%, também no acumulado). O saldo dos quatro meses é um recuo de 0,9%. 

Segundo Macedo, a produção caiu em novembro e dezembro de 2019 por causa de ajustes no ritmo das fábricas, após uma produção maior de agosto a outubro, para atender datas do comércio, como a “Black Friday”. 

“Com a volta da produção, no início de 2020, há um aumento natural, mas insuficiente para suplantar a queda do fim de 2019”, disse Macedo.

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