Roosevelt Cassio/Reuters
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Produção industrial sobe 0,8% e tem melhor maio em 6 anos

Principal impacto positivo foi registrado por veículos automotores, com avanço de 9,0%; apesar da recuperação, indústria ainda opera 18,5% abaixo do pico registrado em junho de 2013

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2017 | 09h27

RIO - A indústria brasileira mostrou expansão de forma generalizada e cresceu mais do que o esperado em maio, no melhor resultado para o mês em seis anos mas que pode não prosseguir por causa da forte turbulência política que atingiu o governo do presidente Michel Temer.

Em maio, a produção industrial subiu 0,8% sobre abril, melhor desempenho para o mês desde a alta de 2,7% em 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Na comparação anual, o avanço foi de 4%, mais forte desde fevereiro de 2014 (4,8%).

 "Foi o segundo mês consecutivo de alta, período em que a indústria acumula um avanço de 1,9%. Esse resultado reverte um pouco a perda mais acentuada de março (-1,6%)", disse André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do IBGE.

Segundo ele, a indústria mostrou em maio ante abril o perfil mais disseminado em termos de crescimento desde julho de 2014, considerando tanto as categorias de uso quanto as atividades pesquisadas.

A despeito dos avanços recentes, a indústria brasileira ainda opera 18,5% abaixo do pico de produção registrado em junho de 2013. O patamar de produção se assemelha ao de fevereiro de 2009, época da crise financeira internacional.

"A indústria opera nos patamares mais baixos de sua série histórica desde 2016, bem distante dos patamares mais altos. Ou seja, há uma melhora recente do setor industrial, observada de forma mais clara nos meses de abril e maio, mas que está longe de tirar o setor industrial desse patamar mais baixo em que ele se encontra", contou Macedo. "A gente ainda está longe de garantir que haja uma trajetória de crescimento sustentável do setor industrial", acrescentou.

Os números do IBGE vieram dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,7% a uma expansão de 2,0% para o resultado mensal. A mediana das expectativas era de 0,65%. No ano, a indústria teve alta de 0,5%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou recuo de 2,4%.

Na comparação com maio de 2016, o avanço de 4,0% na produção industrial foi o mais intenso para o mês desde 2010, quando houve crescimento de 14,3%.( O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,7% a uma expansão de 2,0%, e acima da mediana positiva de 0,65%. No ano, a indústria teve alta de 0,5%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou recuo de 2,4%.

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Grupos. A produção industrial cresceu em 17 dos 24 ramos pesquisados na passagem de abril para maio, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O principal impacto positivo foi registrado por veículos automotores, reboques e carrocerias, com avanço de 9,0%, puxado pela fabricação de automóveis e caminhões. O resultado de maio foi o mais elevado para o segmento desde dezembro de 2016, quando tinha crescido 10,4%. No mês anterior, a fabricação de veículos já tinha expandido 3,9%.

Outras contribuições positivas relevantes foram de produtos alimentícios (2,7%) e de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (4,0%).

Na direção oposta, entre os seis ramos que encolheram no mês, as perdas mais importantes foram dos segmentos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,2%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-7,6%).

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Com o resultado mensal de maio, a produção industrial registra a segunda taxa positiva consecutiva e acumula um crescimento de 1,9% no período, eliminando a queda de 1,6% observada em março. /COM INFORMAÇÕES REUTERS

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