Produção industrial supera expectativas do mercado

Os indicadores da produção industrial de dezembro divulgados hoje pelo IBGE apontaram um nível de atividade bem acima do que projetava o mercado financeiro. Segundo economistas ouvidos pela Agência Estado, já era aguardado um desempenho mais forte da indústria por conta do segmento de bens de consumo duráveis - fortemente relacionado ao setor automobilístico, cujos dados de dezembro, da Anfavea, já sinalizavam um crescimento expressivo. A maior parte das projeções do mercado apontava um crescimento da produção industrial no ano 2000 entre 4% e 5%. De acordo com os dados do IBGE, esse aumento foi de 6,5% no ano e de 7,2% em dezembro sobre novembro. Para o economista chefe do BankBoston, José Antonio Pena, a maior surpresa dos dados divulgados pelo IBGE está no segmento de bens de consumo intermediários, que ajustado sazonalmente, cresceu 5,8% sobre novembro. "Trata-se de um setor muito estável, que não costuma ter esse tipo de oscilação no mês a mês", explica o economista. Ele acredita que o segmento de bens duráveis - que ajustado cresceu 23% em dezembro sobre o mês anterior - mostrará queda nos dados do IBGE referentes a janeiro, contaminando a comparação do nível de produção como um todo. "Dessazonalizando os números de janeiro divulgados hoje pela Anfavea, podemos projetar uma queda próxima dos 20% na produção de bens duráveis na próxima comparação mensal dos dados do IBGE", explica Pena, lembrando a forte relação dos duráveis com o setor automobilístico. Ele ressalta, no entanto, que assim como os dados de dezembro não indicam um "boom" no consumo dos duráveis, os dados de janeiro não indicarão uma reversão da recuperação ou mesmo uma crise para o setor. "A tendência estrutural continua sendo a de recuperação", avalia. Para os economistas ouvidos, o elevado nível de produção verificado a partir dos dados do IBGE não terá efeitos, pelo menos no curto prazo, sobre os indicadores de inflação. O motivo é que os setores que estão puxando esse incremento da produção ainda possuem bom espaço de capacidade ociosa, exemplo do setor automobilístico e de eletroeletrônicos. "Esse fato acaba afastando por hora o risco da pressão inflacionária por demanda", confirma o economista chefe do Citibank, Carlos Kawall. Influência sobre a Selic - Ele ressalta o fato de que o aumento da produção industrial verificado no final do ano passado joga por terra as alegações - ouvidas com mais força em setembro e outubro - de que a manutenção dos juros em 16,5% ao ano pelo BC, por um período prolongado, estava afetando o crescimento da produção doméstica. "O primeiro corte dos juros do BC ocorreu em 20 de dezembro, ou seja, não teve influência sobre os dados mais recentes", explica o economista. Ele acredita que dessa forma o BC fica mais confortável e menos sujeito a pressões na condução da política monetária. Para o economista chefe do BankBoston, o fato de a atividade econômica apresentar índices elevados sem os efeitos dos dois cortes recentes é um dos fatores que pode levar à manutenção dos juros na próxima reunião do Copom, no dia 14. "Acredito que o BC possa manter as taxas exatamente para verificar os efeitos dos cortes recentes sobre a atividade econômica, que os dados mais recentes (os mesmos que o Copom terá na próxima semana) ainda não carregam", avalia Pena.

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