Produção industrial tem a maior queda para março em nove anos

Segundo o IBGE, a produção da indústria recuou 0,8% em março ante fevereiro; no trimestre, indicador teve queda de 5,9%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 09h05

Atualizado às 12h30

A produção industrial ensaiou uma recuperação em janeiro, quando subiu 0,3%, mas agora, com a divulgação dos dados de março, consolidou a tendência de queda. Em março, a produção industrial caiu 0,8% frente a fevereiro, a maior para o mês neste tipo de comparação desde 2006 (-1,3%), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em relação a março de 2014, a indústria recuou 3,5%, a 13ª taxa negativa consecutiva nessa comparação. No primeiro trimestre, a produção da indústria recuou 5,9% ante igual período em 2014. O resultado também é negativo em outras comparações. Nos últimos 12 meses, o setor acumula queda de 4,7% na produção, a queda mais intensa desde janeiro de 2010 (-4,8%). 

A queda na produção industrial em março atingiu 14 dos 24 ramos pesquisados. O impacto negativo mais intenso veio de veículos automotores, cuja produção recuou 4,2% no período, seguido por máquinas e equipamentos (-3,8%). Do lado positivo, as maiores contribuições vieram da alta de 2,1% na produção de alimentos e do avanço de 26,8% na atividade de produtos de fumo. 

Para o primeiro trimestre, as projeções iam de recuo de 9,73% a queda de 4,70%, com mediana negativa em 5,70%. Entre os setores que tiveram baixa, o principal impacto negativo também foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias, onde a queda foi de 20,7%. Segundo o IBGE, o resultado foi pressionado pela redução na produção de aproximadamente 92% no período.

Demanda. A baixa confiança e a desaceleração da demanda doméstica continuam a pressionar os resultados da indústria, que mostra comportamento predominantemente negativo desde setembro de 2014, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste período, a produção acumula perda de 5,1%.

"Desde setembro de 2014, a trajetória é muito clara em termos de redução da produção da indústria. Em alguns momentos há aumento da velocidade de queda, em outros isso diminui, mas é uma trajetória muito marcada", afirmou Macedo.

Com esse desempenho, a indústria operava em março 11,2% abaixo do pico histórico de produção, atingido em junho de 2013.

Revisão. O IBGE revisou o desempenho da produção industrial em fevereiro ante janeiro. A queda na atividade foi de 1,3%, mais do que o recuo de 0,9% apurado na leitura inicial. A mudança está relacionada a uma piora no índice de bens de capital e de bens de consumo. A produção de bens de capital em fevereiro ante janeiro foi revisada de -4,1% para -4,4%. Nos bens de consumo duráveis, a queda no período foi de 1,9%, acima do verificado na leitura inicial (-0,4%). Já nos bens de consumo semi e não duráveis, a queda de 0,5% passou para recuo de 1,0% no período. 

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