Tiago Queiroz/Estadão
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Produção industrial tem alta de 8% em julho, com avanço em 25 das 26 atividades

Após três altas seguidas no indicador do IBGE, dez setores já estão em nível superior ao de antes da crise, mas a indústria como um todo ainda opera 6% abaixo do patamar pré-pandemia

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 10h56
Atualizado 04 de setembro de 2020 | 00h21

RIO - Passado o choque inicial provocado pela pandemia de covid-19, a indústria brasileira se recupera gradualmente já há três meses consecutivos. Ainda que não tenha voltado ao patamar de fevereiro, dez das 26 atividades investigadas já operam em nível superior ao pré-crise sanitária. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta quinta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na passagem de junho para julho, a produção cresceu 8%, com avanços em 25 das 26 atividades pesquisadas. Em três meses, o ganho acumulado é de 28,8%. Mas a indústria como um todo ainda opera 6,0% abaixo do patamar pré-pandemia.

“Há um crescimento importante, mas é sobre algo que havia recuado em magnitude jamais vista na série histórica da pesquisa”, ponderou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

O desempenho de julho surpreendeu positivamente analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma elevação mediana de 5,9%. Os dados levaram alguns economistas a estimarem uma retração menos aguda para a indústria no fim de 2020. A economista Lisandra Barbero, da XP Investimentos, pretende revisar sua projeção de queda para o setor industrial em 2020 de -8,2% para -7,0%.

A consultoria Pezco Economics previa uma queda de 7,9% na produção industrial deste ano, mas agora estima que a redução fique entre -6,2% e -6,5%, embora projete perda de fôlego no setor nos próximos meses.

"Essa dinâmica (de aumento na produção) deve se enfraquecer em agosto e setembro por um modo de estabilização. Tem que ter algum gás novo para puxar o crescimento, como aumento na exportação de bens industrializados, mas esse é um cenário que parece pouco provável", argumentou o economista Helcio Takeda, da Pezco Economics.

Os desempenhos mais elevados em relação ao patamar de fevereiro foram registrados pelas atividades de bebidas, que chegou a julho com o nível de produção 11,6% superior, equipamentos de informática (8,6%) e indústrias extrativas (5,2%). Na direção oposta, os segmentos de veículos (-32,9%) e artigos de vestuário (-38,7%) operam nos patamares mais baixos ante fevereiro.

Para André Macedo, do IBGE, há um longo caminho a percorrer não apenas para resgatar as perdas provocadas pela crise sanitária, mas para voltar ao melhor momento da série histórica. Atualmente, a produção ainda opera 21,2% abaixo do ápice alcançado em maio de 2011.

A flexibilização das medidas de isolamento social permitiu o retorno à atividade de linhas de produção que foram paralisadas pela pandemia, mas também contribuíram para a retomada industrial medidas anunciadas pelo governo, como o pagamento de auxílio emergencial a trabalhadores vulneráveis e a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), apontou Macedo.

“Contribuíram de forma importante para o consumo e para isso rebater no setor industrial”, disse Macedo. “Claro que o auxílio emergencial foi importante para garantir algum tipo de rendimento para parte considerável da população brasileira. Reduzir isso (o valor do auxílio) pode ter contribuição negativa. Se está reduzindo esse auxílio à metade pode ter alguma influência. Mas a gente não tem como medir a forma como está contribuindo”, disse Macedo.

O gerente da pesquisa do IBGE ressalta que a recuperação do setor industrial nos próximos meses depende da demanda doméstica, que, por sua vez, depende da evolução do mercado de trabalho.

“É uma variável importante a ser acompanhada, não só para zerar essa perda recente da produção, mas também para recuperar aquele patamar que a gente tinha lá atrás, patamar histórico da pesquisa, de maio de 2011, é um distanciamento importante a ser recuperado. É claro que outros fatores são importantes, o comércio exterior, retomada de produção para parceiros importantes. Mas, sem sombra de dúvida, a evolução da demanda doméstica é algo que está no radar e precisa ser acompanhado”, avaliou Macedo.

A deterioração do mercado de trabalho em um ambiente sem os estímulos fiscais do governo pode prejudicar o setor no ano que vem, confirma Lisandra Barbero, da XP Investimentos.

"A sinalização positiva (da pesquisa de julho) é uma questão de curto prazo, porque os indicadores impõem essa perspectiva de performance surpreendendo para cima no restante do ano. Mas, olhando o médio e o longo prazo, é uma série de riscos", disse Lisandra. / COLABORARAM CÍCERO COTRIM e GREGORY PRUDENCIANO

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