FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Produção industrial volta a cair em julho

Indústria caiu 0,2% em julho ante junho, apontou o IBGE; segundo especialistas, queda é um ajuste natural dois meses após a greve dos caminhoneiros, mas mostra que o setor ainda não avançou de forma consistente

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 09h00
Atualizado 04 Setembro 2018 | 15h37

RIO - A produção industrial caiu 0,2% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta terça-feira, 4, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).   O indicador voltou a registrar queda na comparação mensal após subir 12,9% (dado já revisado) em junho, logo após a greve dos caminhoneiros.

O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 3,60% a aumento de 1,00% , com mediana negativa de 1,50%.

Em relação a julho de 2017, a produção subiu 4,0%.  No ano, a indústria teve alta de 2,5% e em 12 meses, a produção da indústria acumulou avanço de 3,2%.

A ligeira queda de 0,2% registrada na indústria na passagem de junho para julho pode ser reflexo de um ajuste após uma produção excessiva no mês anterior, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Com a greve de caminhoneiros, a produção caiu 10,9% em maio ante abril. Em junho, houve um avanço de 12,9%.

Macedo lembrou, porém, que a conjuntura permanece desfavorável para o setor industrial. A redução no nível de confiança afeta decisões de investimento e de consumo, o mercado de trabalho tem um contingente importante de trabalhadores sem emprego, e as exportações estão perdendo fôlego, especialmente por causa da crise argentina.

A indústria brasileira opera atualmente 14,1% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011."Em termos de patamar de produção é como se a indústria estivesse operando como em maio de 2009", apontou Macedo. Ele explica que há uma tendência de recuperação gradual, mas que não recupera perdas acumuladas em anos passados. Com as oscilações de maio (-10,9%) e junho (12,9%), seguida pela ligeira queda de 0,2% em julho ante o mês anterior, a indústria está 0,8% abaixo do patamar de produção de dezembro de 2017.

"É claro que a gente tem algum tipo de melhora em relação ao que a gente tinha em 2016. Mas, em relação ao ano de 2017, a indústria acaba não avançando de forma mais consistente", completou o gerente do IBGE.

O desempenho da indústria brasileira em julho indica uma acomodação dos indicadores após a forte recuperação no sexto mês do ano, que teve alta de 12,9% na margem, explicou o economista Lucas Souza, da Tendências Consultoria.

"Embora haja essa queda na margem, ela foi suave e vem após a grande expansão em junho. Já era esperado que houvesse alguma retração, talvez até um pouco maior, pela naturalidade da acomodação dos indicadores após forte recuperação", disse ao Estadão/Broadcast o economista, para quem o dado chega a ser uma surpresa positiva. 

Após a recuperação forte em junho, recompondo parte das perdas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros em maio, a Rosenberg Associados considera natural uma "acomodação" da produção em julho. A estimativa da consultoria era de recuo de 1,00% para o índice do sétimo mês do ano. "Será preciso aguardar os dados de agosto para aferir o real pulso da economia no pós greve", avaliou nota da consultoria publicada antes da divulgação do dado oficial.

Produção de bens de capital cai 6,2%

A produção da indústria de bens de capital teve queda de 6,2% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2017, o indicador mostrou alta de 6,5%. No ano, houve crescimento de 9,0% na produção de bens de capital. No acumulado em 12 meses, a taxa ficou positiva em 9,5%.

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou queda de 1,2% na passagem de junho para julho. Na comparação com julho de 2017, houve aumento de 4,6%. No ano, a produção de bens de consumo subiu 3,5%. No acumulado em 12 meses, o avanço foi de 4,2%.

A produção industrial do País recuou em 10 dos 26 ramos pesquisados em julho ante junho, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As principais influências negativas para a média global foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5%) e produtos alimentícios (-1,7%). Outras contribuições negativas relevantes foram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-7,2%), produtos de minerais não metálicos (-3,0%) e couro, artigos para viagem e calçados (-5,4%)./COLABOROU CAIO RINALDI

 

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