Produção mundial de aço deve cair 15% em 2009

Siderúrgicas enfrentam a pior crise em 35 anos, segundo a Unctad

Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Mesmo com os sinais de recuperação da demanda chinesa, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) prevê queda de 15% na produção mundial de aço este ano. Em relatório divulgado ontem, a entidade destaca que o setor vive a pior retração de atividade desde a crise do petróleo entre 1974 e 1975, o que tem se traduzido em volumes menores de compras de minério de ferro. Segundo a Unctad, a recuperação mais rápida dos países em desenvolvimento, especialmente da China, é que vai abrir caminho para o retorno da demanda mundial de aço para níveis pré-crise. No ano passado, a produção siderúrgica mundial cresceu 3,6% e atingiu 1,7 bilhão de toneladas. É nesse cenário que têm se desenhado as negociações entre as siderúrgicas internacionais e as grandes mineradoras para formação de um preço de referência para os contratos de longo prazo do minério de ferro, principal matéria-prima na produção do aço. A indústria japonesa manteve a tradição e foi a primeira a fechar um acordo com a australiana BHP Billiton e a brasileira Vale. Em seguida, a sul-coreana Posco e a europeia ArcelorMittal sancionaram o porcentual acertado com a japonesa Nippon Steel. A incerteza gira em torno da China, que resiste em concordar com uma queda de 33% para o minério fino da BHP e de 28,2%, da Vale. "A China ainda é uma incerteza, mas é provável que o acordo seja alcançado com as taxas já negociadas com outros produtores asiáticos", destacou o relatório. A Unctad observa que boa parte das vendas para a China já tem sido feita no mercado à vista sem estabelecer um porcentual para reajustar o preço em contratos de longo prazo.A entidade lembra que os projetos já anunciados apontam para expansão da capacidade produtiva mundial de minério de ferro de mais de 430 milhões de toneladas entre 2009 e 2011. Os projetos com maior probabilidade de sair do papel estão localizados na Austrália, que disputa com o Brasil a posição de maior vendedor para a China. No relatório, a Unctad ressalta que a Vale deu passos importantes nos últimos anos para se consolidar como maior produtor mundial do insumo. O principal deles, segundo a entidade, foi a expansão das atividades da mina de Carajás, no Pará.

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