Produção recebe US$ 2,75 bi em maio

Investimento Estrangeiro Direto foi mais que o dobro do IED de maio de 2008, antes do agravamento da crise

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Os bons ventos que voltaram a rondar o mercado acionário brasileiro também atingiram o setor produtivo em maio. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que o Brasil recebeu US$ 2,75 bilhões de investimento direto estrangeiro (IED) no período - mais que o dobro do valor absorvido pelo País em maio de 2008, quando entrou no mercado interno US$ 1,3 bilhão. No ano, entretanto, o ingresso de capital está 17% inferior ao verificado no ano passado: US$ 11,2 bilhões ante US$ 13,98 bilhões.Apesar da queda, economistas comemoraram o resultado de maio. Na avaliação deles, o ambiente internacional no início de 2008 era muito mais positivo comparado ao cenário atual. "Diante desse quadro mais adverso, a expectativa de receber US$ 25 bilhões de recursos estrangeiros este ano é um número bastante positivo", destaca o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP. Isso significa que haverá um recuo em torno de 40% em relação aos US$ 43 bilhões ingressados em 2008.De qualquer forma, ponderam os economistas, em outras épocas essa queda seria muito maior, como ocorreu em 2002, quando o País recebeu apenas US$ 10 bilhões, afirmou Lacerda. Naquela época, entretanto, havia um temor do mercado internacional em relação à administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje a situação do País é completamente diferente, embora a crise mundial seja a pior dos últimos tempos.O bom humor dos investidores com o Brasil está fundamentado nas boas perspectivas da economia interna, diferentemente do que ocorre com os países desenvolvidos. "O resultado de investimento estrangeiro mostra como é importante ter uma economia com boas expectativas de crescimento", analisa o professor da Unicamp, Júlio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Na opinião dele, a entrada de capital estrangeiro e a recuperação dos níveis de emprego são as duas grandes novidades desse período de crise. "Podemos dizer que nossa economia não demitiu tanto quanto as outras no mundo. Isso faz muita diferença." Almeida afirma, entretanto, que é preciso desconcentrar o investimento direto estrangeiro. No mês passado, por exemplo, boa parte do dinheiro foi investida nos setores de metalurgia e automotivo. "Acredito que ainda sejam fruto de decisões passadas." A continuidade de dinheiro estrangeiro no Brasil, embora em níveis menores em comparação com o ano passado, representa confiança no País, destaca o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Freitas Thadeu. Ele comenta que a volta da liquidez no mundo beneficia o Brasil, já que as taxas de retornos são bastante elevadas, em torno de 15%, enquanto na média mundial não passa de 10%. Por outro lado, diz ele, o fluxo de recurso estrangeiro significa pressão sobre o dólar, que neste ano já recuou 15,93% até ontem. "Isso exigirá a adoção de novas medidas do Banco Central", destacou Thadeu. Mesma opinião tem Lacerda: "Valorizar o câmbio neste momento de crise é suicídio".Eles lembram que, além do investimento direto, os estrangeiros também voltaram com força à bolsa brasileira, o que tem pressionado as cotações do dólar. Ontem a moeda americana fechou o dia em R$ 1,963. "Os investidores voltaram a apostar no Brasil. Mesmo com a redução da Selic, as taxas de juro real continuam altas", diz o professor da PUC.

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