Produtividade afetou PIB per capita brasileiro

GENEBRA - O crescimento do PIB per capita do Brasil foi um dos mais baixos nos últimos 30 anos e não acompanhou a média mundial. Um dos maiores obstáculos é a falta de produtividade, além do baixo investimento em educação e treinamento.

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2014 | 02h02

Segundo dados da OIT, o crescimento médio anual do PIB per capita no Brasil foi de cerca de 1,5% entre 1980 e 2011. A taxa é bem inferior à média dos emergentes, que tiveram alta de 3,3% no crescimento do PIB per capita. De 140 emergentes avaliados, o Brasil foi apenas o 77.º. Na China, a expansão do PIB per capita foi de mais de 7%, ante 8% no Vietnã, 4% na Índia e mais de 3% na Tailândia ou Chile.

Na avaliação da OIT, o que houve no mundo nos últimos anos foi o começo de uma convergência entre emergentes e ricos, ainda que as diferenças sejam profundas em renda. De forma geral, o PIB per capita nos emergentes cresceu duas vezes mais rápido que nos países ricos entre 1980 e 2011, onde a expansão foi de apenas 1,8%.

Mas o Brasil conseguiu ficar abaixo até mesmo do crescimento dos mercados ricos. A OIT admite que, a partir de 2004, um novo cenário começou a ser desenhado. O desempenho do PIB per capita no Brasil melhorou e, nos últimos dez anos, teria crescido em média 2,4% por ano. Nesse mesmo período, a expansão nos países ricos foi de apenas 0,9%.

Mas, ainda assim, a taxa brasileira é inferior à média dos demais emergentes. Entre 2000 e 2011, as economias em desenvolvimento viram seu PIB per capita aumentar 5% ao ano.

Um dos obstáculos no Brasil seria a perda de competitividade industrial. Nos últimos 30 anos, apenas 6 de 140 países viram seu setor manufatureiro perder tanto peso no PIB nacional como no caso do Brasil. Desde 1980, a indústria reduziu sua participação no PIB em 17%.

Produtividade. Esse cenário estaria intimamente relacionado à falta de produtividade. Nos últimos 20 anos, a expansão anual da produtividade foi também uma das mais baixas do mundo. De 126 países emergentes avaliados, apenas 43 tiveram um índice inferior ao do Brasil.

Por ano, a expansão foi de apenas 0,6% na produtividade média do brasileiro. Nos emergentes, a taxa foi de 3,4% por ano. A China teve mais de 9% e o Vietnã, 5%. Índia. Turquia e Argentina registraram 2,5% e até Chile, Peru e Cuba tiveram índices melhores que os do Brasil. Nos países ricos, a taxa foi de 1,4%, ainda que tenha caído para 0,9% nos últimos 13 anos.

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