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Produtividade depende da educação

Para que o País seja capaz de competir no mercado internacional, trabalhadores precisam estar preparados para usar tecnologia

Beatriz Bulla, Dayanne Sousa e Gabriela Lara, Agência Estado

20 de novembro de 2013 | 15h13

A competitividade do Brasil no mercado internacional depende de avanços importantes na educação. O trabalhador brasileiro tem um quinto da produtividade do trabalhador americano. Boa parte dessa diferença está na falta de preparo dessa mão de obra.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou na terça-feira que a produtividade é um ponto central da competitividade no médio e longo prazos. Ele participou do evento Fóruns Estadão Brasil Competitivo "Educação e mão de obra para o crescimento", realizado pela Grupo Estado com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mercadante ressaltou que é preciso que as empresas criem a cultura de formação de talentos profissionais e citou o Pronatec ao defender que o País possui hoje um programa de investimento em formação profissional. "Estamos discutindo a formação dual - trabalhar estudando e estudar trabalhando", comentou Mercadante.

O ministro fez ainda uma defesa do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), ao afirmar que a prova garante o acesso ao ensino superior de modo "muito mais democrático, meritocrático e republicano". Contudo, apontou um problema: dos cinco milhões que fazem Enem, metade não terá vaga nas universidades. Por isso, reforçou o ministro, é importante oferecer e valorizar o curso técnico.

Ele mencionou que um terço dos estudantes que ingressam na universidade hoje fazem isso via políticas de inclusão, como os benefícios do ProUni e financiamentos estudantis (Fies). "Precisamos criar cultura de empreendedorismo, patente do conhecimento na universidade", defendeu o ministro. "Se quisermos pensar em economia, temos de pensar da creche à pós-graduação."

Qualidade. O economista e pesquisador em economia da educação Gustavo Ioschpe afirmou que a deficiência educacional do Brasil já se reflete no mercado do trabalho e que o País deve traçar um plano de ação se não quiser perder mais competitividade no longo prazo. "Se entendemos que a educação é um ativo estratégico para a competitividade brasileira, e vemos que o sistema de ensino não vai bem, temos de apontar diagnósticos." 

Ioschpe citou a taxa de matrícula do Brasil em ensino superior, que ainda está abaixo de muitos países emergentes, e disse que o problema da educação brasileira é de qualidade, não de quantidade. "Isso é uma constatação infeliz, porque é mais difícil solucionar problemas qualitativos. Aumentar o volume de investimento em educação no Brasil não vai resolver", opinou.

De acordo com o economista, a chave das deficiências do setor é aquilo que acontece dentro de sala de aula. "Qualquer mudança que não altere essa relação entre professor e aluno vai se mostrar ineficaz para resolver os desafios brasileiros em educação."

Segundo ele, remunerar melhor os professores, nesse sistema atual, servirá apenas para perpetuar o problema. Precisamos, acredita o economista, melhorar a formação dos professores, aperfeiçoar as práticas de sala de aula e qualificar os diretores.

Ainda para Ioschpe, o problema de educação no Brasil é de demanda. É preciso que as famílias recebam mais informação sobre a qualidade do ensino para poderem exigir mais. Ele sugere que as escolas tenham na entrada uma placa informando a avaliação que receberam no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A ideia vem de recente viagem feita pelo economista à China.

Indústria investe em capacitação de profissionais

No Brasil, 80% das empresas industriais investem em capacitação de trabalhadores, segundo o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), diretor-geral do Senai e diretor Superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi.

Na avaliação dele, esses recursos poderiam ser utilizados em ganhos de eficiência caso não houvesse a carência de mão de obra de qualidade. "Entre os alunos concluintes do ensino médio, 90% não aprenderam o adequado em matemática e não temos como fazer muito quanto a isso no chão de fábrica", afirmou.

O diretor da CNI ainda avaliou que o Brasil tem um problema em sua matriz educacional. "Há uma lógica bacharelesca", afirmou. "Temos de dar formação de qualidade com a tecnologia que a indústria tem e nos locais onde a indústria está. É preciso superar a ideia tola de que educação profissional não forma para a cidadania."

Segundo Lucchesi, a CNI está discutindo com o Ministério da Educação a criação de um programa como o Ciência sem Fronteiras do qual as empresas industriais possam participar.

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