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Produtividade é ponto central da competitividade, diz Aloizio Mercadante

Segundo o ministro da Educação, atual taxa de desemprego é 'muito positiva' diante do cenário econômico

Beatriz Bulla, Dayanne Sousa e Gabriela Lara, Agência Estado

19 de novembro de 2013 | 13h16

SÃO PAULO - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou na manhã desta terça-feira, 19, que a produtividade é um ponto central da competitividade no médio e longo prazo. Ele participou da edição sobre educação do Fóruns Estadão Brasil Competitivo, realizado pela Agência Estado em parceria com o Estadão e com patrocínio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mercadante ressaltou que é preciso que as empresas criem a cultura de formação de talentos profissionais e citou o Pronatec ao defender que o País possui hoje um programa de investimento em formação profissional. "Estamos discutindo a formação dual - trabalhar estudando e estudar trabalhando", comentou Mercadante.

O ministro fez ainda uma defesa do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), ao afirmar que a prova garante o acesso ao ensino superior de modo "muito mais democrático, meritocrático e republicano". Contudo, Mercadante apontou um problema: "dos cinco milhões que fazem Enem, metade não terá vaga nas universidades", completou. Por isso, reforçou o ministro, é importante oferecer e valorizar o curso técnico.

Ele mencionou que um terço dos estudantes que ingressam na universidade hoje fazem isso via políticas de inclusão, como os benefícios do Prouni e financiamentos estudantis (Fies). "Precisamos criar cultura de empreendedorismo, patente do conhecimento na universidade", defendeu o ministro, que completou: "se quisermos pensar em economia, temos que pensar da creche à pós graduação". 

Segundo o economista e pesquisador em economia da educação Gustavo Ioschpe, a deficiência educacional do Brasil já se reflete no mercado do trabalho e o País deve traçar um plano de ação se não quiser perder mais competitividade no longo prazo. "Se entendemos que a educação é um ativo estratégico para a competitividade brasileira e vemos que o sistema de ensino não vai bem, temos de apontar diagnósticos", disse durante sua palestra. 

O presidente da DPaschoal e da Fundação Educar Dpaschoal, Luis Norberto Pascoal, afirmou que as deficiências do sistema de educação no Brasil são um obstáculo para o crescimento da agricultura no País. "A agricultura brasileira se desenvolveu muito nos últimos anos, mas 50% da nossa produção agrícola ainda depende de mão de obra despreparada", disse durante sua participação no fórum. "Nós não seremos competitivos se não avançarmos em tecnologia e inovação na agricultura", completou. 

Faltam técnicos. Os ganhos de produtividade da indústria brasileira dependem de avanço na formação de profissionais, na avaliação do diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), diretor-geral do Senai e diretor Superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi.

Lucchesi afirmou que no Brasil 80% das empresas industriais investem em capacitação de mão de obra. Na avaliação dele, estes recursos poderiam ser utilizados em ganhos de eficiência caso não houvesse a carência de mão de obra de qualidade. "Entre os alunos concluintes do ensino médio, 90% não aprenderam o adequado em matemática e não temos como fazer muito quanto a isso no chão de fábrica", afirmou.

O diretor da CNI ainda avaliou que o Brasil tem um problema em sua matriz educacional. "Há uma lógica bacharelista", disse, acrescentando que falta formação técnica. "Temos que dar formação de qualidade com a tecnologia que a indústria tem e nos locais onde a indústria está", opinou. "É preciso superar a ideia tola de que educação profissional não forma para a cidadania.

Menos desigual. O ministro Mercadante também afirmou que houve no Brasil um processo de redução da desigualdade que ele considerou "espetacular". Em sua apresentação, o ministro apresentou a evolução do índice de Gini e do PIB per capta no Brasil nos últimos anos.

Mercadante destacou o impacto positivo do programa Bolsa Família na redução da desigualdade e afirmou que o programa melhorou a cobertura de matrículas escolares dos estudantes e o desempenho acadêmico.

Sobre o emprego no País, Mercadante disse que "mesmo num ano difícil, foram gerados novos postos de trabalho". Ele avaliou que a taxa de desemprego atual é "muito positiva para o cenário que encontramos".

O ministro da Educação argumentou que o Brasil ainda precisa ampliar os investimentos em ensino. Ele afirmou que o País é o que mais aumentou verba para educação, citando estudos da OCDE. "Somos o maior país em investimento público em educação quando se olha a receita da União", disse. Ainda assim, Mercadante afirmou que o investimento per capta é inferior ao de vários países da OCDE.

Durante sua participação no Fórum, Mercadante falou ainda sobre iniciativas do governo federal. Ele destacou o programa de escola em tempo integral como uma forma de melhorar a qualidade do ensino em regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Ele afirmou que foi dobrada a meta de escolas em tempo integral para 60 mil até 2014 e que hoje já são 50 mil escolas em tempo integral.

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