Produtividade não justifica aumentos salariais

Na 13.ª edição da Economia Brasileira em Perspectiva, publicada pelo Ministério da Fazenda, há uma previsão que deveria preocupar a equipe econômica. Trata-se da participação da indústria no crescimento do PIB, que foi de 10,1%, em 2010, e estima-se que será de 2,2%, neste ano, e de 3,2%, em 2012.

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h08

A equipe econômica parece se satisfazer com esses resultados, menosprezando a importância do setor secundário como criador de empregos e foco de inovação e parecendo ignorar que, hoje, a indústria brasileira tende a ser montadora de produtos importados.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, divulgada ontem pelo IBGE, mostra claramente que o setor manufatureiro já não participa do processo que permitiu reduzir fortemente o desemprego no Brasil. Em outubro, houve redução de 0,4% do pessoal ocupado - quando naquele mês deveria aumentar a ocupação, em razão da proximidade das festas do final de ano -; as horas pagas de trabalho caíram 0,9%; e a folha de pagamento apresentou redução de 2,2%. Esse quadro mostra claramente que a indústria não contribuiu para a prosperidade e para o nível de emprego que fazem a satisfação das autoridades do Ministério da Fazenda. Além disso, a indústria está fugindo dos centros onde os salários são elevados. São Paulo é o Estado mais atingido, com uma queda de 3,5% da atividade em outubro, em relação ao mesmo m\ês de 2010, enquanto em Pernambuco houve elevação de 4,88%.

Esse fenômeno mostra como o custo da mão de obra pode afetar o emprego. Nos dez primeiros meses do ano, o pessoal ocupado cresceu apenas 1,3% e o número de horas pagas aumentou 0,9%, mas a folha de pagamento real subiu 4,6%. Comparando o crescimento do pessoal ocupado com o número de horas pagas, constata-se que houve ligeira elevação da produtividade. Essa evolução, no entanto, não justifica um aumento de 4,6% da folha de pagamento real. O que leva a indagar se os reajustes salariais não foram além do que seria normal.

Essa é uma questão importante, porque não é apenas a taxa cambial que explica o aumento das importações, mas também o custo da mão de obra, que não só está bem acima do que prevalece nos países asiáticos, como supera os custos dos países do Primeiro Mundo - obviamente, quando são levados em conta os encargos sociais. Quando a isso se acrescenta a carga tributária, verifica-se que o Brasil se tornou um dos países mais caros do mundo, não podendo enfrentar concorrentes que oferecem produtos com maior conteúdo tecnológico.

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