Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão

Produtividade no campo impulsiona Netafim no País

Empresa israelense é líder em irrigação por gotejamento

Clarice Couto, Gustavo Porto e Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 05h00

A israelense Netafim, líder em irrigação por gotejamento, estima que seu faturamento no Brasil salte 78% este ano, para US$ 320 milhões. A aposta é atrair para a tecnologia também produtores de soja, milho e algodão, além dos que já usam o sistema, que aplica água e adubo direto na raiz da planta, caso dos cafeicultores, citricultores e produtores de frutas. O presidente da Netafim para o Mercosul, Alexandre Gobbi, explica que com o gotejamento o consumo de água e de energia é menor do que com outros métodos, uma alternativa atraente para quem busca meios de aumentar a produção. “A tendência é de ganho de produtividade sem expansão de área”, reforça. No Brasil, segundo Gobbi, terras irrigadas por gotejamento crescem cerca de 15% ao ano. Atualmente, são 400 mil hectares, de um total de 6 milhões irrigados. “A mola do crescimento continuará sendo lavouras de café, citros e frutas, mas grãos e algodão vão ganhar peso nos negócios”, prevê.

Sinal positivo

O executivo da Netafim conta com o ânimo do setor em relação ao novo governo, o que deve estimular investimentos. Na Agrishow, feira realizada na semana passada em Ribeirão Preto (SP), o volume de negócios da Netafim mais que dobrou ante 2018. A empresa, que tem fábricas em Ribeirão Preto e Cabo de Santo Agostinho (PE), está ampliando sua equipe no País. 

Renova

Ainda na Agrishow, a norte-americana Trimble, que desenvolve sistemas de gestão para máquinas agrícolas, vê um efeito positivo da restrição de crédito para aquisição da tecnologia: muitos produtores optaram por atualizar tratores e colheitadeiras com novos softwares, em vez de comprar máquinas. Para isso, usaram recursos próprios, diz José Carlos Ferraz Bueno, gerente de Distribuição para Brasil e Mercosul. A empresa estima ter vendido 10% mais na feira.

Na tela

Banco privado com maior participação no financiamento do agronegócio brasileiro, o Bradesco investiu na renovação visual de 200 agências e no treinamento de gerentes para atender o setor. Mas a aposta para a próxima safra 2019/2020 é o aplicativo de celular. A instituição oferecerá tecnologia para que toda transação de crédito seja feita por aplicativo. Do outro lado, desenvolveu, para revendedoras e concessionárias, uma ferramenta que define, em minutos, o valor de crédito pré-aprovado para o produtor, com a inserção apenas do nome e do CPF.

A questão é o juro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, propostas para o Plano Safra que definirá os recursos aos pequenos produtores. Uma das principais é a redução do teto da taxa de juros, de 4,6% ao ano para 4%. “Na última safra, a Selic caiu bastante”, diz Joaci Medeiros, coordenador de Assuntos Estratégicos da CNA.

Cobertor curto?

A CNA também quer mais R$ 1 bilhão no total de recursos, para R$ 32 bilhões. A ideia é elevar o limite de crédito na linha do Pronaf Semiárido (para investimentos), de R$ 20 mil para R$ 200 mil. E aos que buscam o Pronaf Mais Alimentos, o limite sairia de R$ 330 mil para R$ 700 mil. 

Olhando pra frente

O Brasil continuará expandindo a área de soja na temporada 2019/2020, diz o Rabobank. O banco estima incremento de 2% a 3% no plantio, que começa a ser feito em setembro. Além da conversão de pastagens degradadas em lavouras, a logística do Norte e do Nordeste favorece a oleaginosa. “Temos o Arco Norte com grande capacidade de exportação”, diz Victor Ikeda, analista de grãos da instituição financeira. Para ele, a necessidade de manter o fluxo de carga até os portos da região tende a tornar os preços mais atrativos a produtores de áreas próximas.

Enxuga

Silvia Fagnani deixou na semana passada o cargo de diretora executiva do Sindicato Nacional de Defesa Vegetal (Sindiveg), que representa empresas de agroquímicos. A razão teria sido corte de gastos. Ela confirma a saída, mas enfatiza ter sido “decisão tomada de comum acordo”. O Sindiveg explica que o desligamento se deveu a “mudanças no setor de defensivos nos últimos anos”. Uma fonte diz que tais transformações estariam ligadas às fusões de multinacionais, que pressionam por redução de despesas. Por ora, não há substituto. 

Bronca

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) criticou a iniciativa da Secretaria de Agricultura paulista de adotar, como informou esta coluna, a política de “papel zero” na Agrishow. Em mensagem ao secretário Gustavo Junqueira, o presidente da Ibá, Paulo Hartung, disse ser um erro relacionar o uso do papel à sustentabilidade. Hartung relatou que 100% da celulose e do papel produzidos no Brasil são de florestas plantadas para fins industriais e que o setor gera 3,7 milhões de empregos diretos e indiretos e R$ 11,5 bilhões em tributos para o País.

Não deu

Um dos pedidos do governador de São Paulo, João Doria, para visitar a Agrishow, na quente Ribeirão Preto, foi de que a temperatura de locais por onde passasse ficasse em 18 graus. Doria só não contava que uma centena de pessoas estivesse no estande do governo, ao lado dele e do presidente Jair Bolsonaro, após a cerimônia de abertura. Foi impossível atender Doria. O ar condicionado não deu conta.    / COLABOROU LETICIA PAKULSKI

 

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