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Produto básico ganha mais espaço

Participação na pauta de exportações foi de 31,9% no 1.º bimestre, ante 25,9% em igual período de 2008

Paulo Justus e Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

A forte retração nas exportações dos manufaturados em razão da crise de crédito e demanda abre mais espaço para o avanço dos produtos básicos na pauta de exportações. Esse movimento já vinha ocorrendo desde 2007 por causa da elevação dos preços das commodities, porém com menor intensidade. No primeiro bimestre deste ano, a fatia dos produtos básicos foi de 31,9% na receita de exportações, ante 25,9% em igual período de 2008. A participação dos manufaturados, por sua vez, caiu de 54,7% para 49,3% no mesmo período, segundo cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o avanço da participação dos produtos básicos na pauta de exportações ocorre porque a demanda por commodities agropecuárias é mais resistente em períodos de crise. "Os contratos de exportação fechados em março mostram uma certa estabilidade dos preços em relação aos últimos meses", afirma.A Coamo Agroindustrial Cooperativa, a maior do segmento na exportação de soja, por exemplo, confirma a estabilidade dos preços e da demanda pelo grão. "Em outubro, no começo da crise, fechamos com a Europa um contrato anual de exportação de soja de 1,2 milhão de toneladas", conta o presidente da Coamo, José Aroldo Galassini. A cooperativa espera repetir neste ano o desempenho de 2008, quando exportou 2,4 milhões de toneladas. "Produzimos alimentos e esses são itens de consumo indispensáveis."Na análise do economista da Funcex Fernando Ribeiro, os preços das commodities agrícolas têm uma tendência favorável no curto prazo, porque houve quebra de safra em vários países. "Não há muito espaço para queda de preços e, em alguns casos, podem até subir. A dúvida é o caso das carnes, que dependem da superação de barreiras sanitárias."De acordo com o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o País tem a vantagem de ter no agronegócio um pilar importante da balança comercial. As commodities agropecuárias respondem por mais de um terço das exportações.Ele pondera, no entanto, que o cenário para as vendas externas totais é ruim. Prevê que as exportações em geral atinjam US$ 163 bilhões, com queda de 17,5% ante 2008. "O ideal seria exportar o máximo de manufaturados porque eles geram mais empregos no mercado interno.Os manufaturados estão caindo muito e dependem dos países desenvolvidos, que tiveram o poder de compra reduzido."O emprego já sente a queda nas exportações de manufaturados . A Caterpillar, fabricante de máquinas de grande porte para mineração e construção pesada, por exemplo, decidiu suspender o contrato de 700 empregados da fábrica de Piracicaba (SP) no mês que vem. Hoje a companhia tem 300 trabalhadores nessa condição.Desde dezembro, a empresa demitiu 700 funcionários e deu férias coletivas por três vezes consecutivas a cinco mil trabalhadores. "Estamos esgotando todas as possibilidades de ajuste de produção", diz a diretora de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos, Sueli Agostinho. Se a demanda externa não for retomada, Sueli diz que terá de demitir ainda mais. A empresa exporta para mais de 120 países.

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