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Produto brasileiro dribla embargo da ONU e chega ao Irã via Dubai

Operação triangular permite a exportadores furar o bloqueio imposto a Teerã por causa do programa nuclear

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Empresas do Brasil estão conseguindo driblar as sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã para vender produtos brasileiros no mercado local como se fossem de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A operação triangular contraria as duas rodadas de sanções da ONU contra o Irã adotadas nos últimos meses diante da recusa do país em divulgar o conteúdo de seu programa nuclear. O Conselho de Segurança da ONU estuda uma terceira rodada de sanções, que pode ser adotada este mês.O governo brasileiro tem conhecimento do recurso utilizado pelas exportadoras brasileiras para furar o bloqueio. "Cada vez que há uma sanção contra o Irã há empresas brasileiras que comemoram", afirma o embaixador brasileiro nos Emirados, Flávio Sapha, que confirma a triangulação. Embora não dê os nomes de empresas, o embaixador garante que o açúcar e a carne brasileira estão chegando ao Irã por Dubai. O diplomata também revela que vem dando vistos para empresários iranianos nos Emirados para que viajem ao Brasil.Fontes do governo brasileiro admitem que existe a possibilidade de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça uma visita ao presidente do Irã, o polêmico Mahmud Ahmadinejad. Pelo caráter delicado da viagem, o encontro ainda não foi confirmado. No ano passado, os americanos deixaram claro ao Brasil que não estavam contentes com os planos da Petrobrás de investir no Irã e pressionaram para que o projeto fosse suspenso. Brasília se recusou a ouvir os americanos (ler ao lado). Mas outros países e empresas preferiram reduzir as vendas e os anúncios de seu comércio com Teerã. Dubai se transformou nos últimos dois anos no centro do comércio externo de Teerã diante das dificuldades enfrentadas pelo país. Com muitas empresas temerosas em fazer negócios direto com o Irã para não prejudicar a credibilidade com os bancos americanos, a opção tem sido a triangulação do comércio por Dubai. EFEITO ECONÔMICOO Irã insiste em que as sanções não afetam a economia local e continuará com o programa de enriquecimento de urânio. Mas o governo inglês aponta que o desemprego no Irã já chega a 10% e a inflação atinge 19%. "O efeito econômico das sanções tem sido o de reduzir o comércio iraniano, principalmente com a Europa, além de impactar na disposição das empresas internacionais em investirem", afirma o embaixador britânico na ONU, John Sawers. "Isso fez com que empresas e bancos considerassem sua exposição e se valeria a pena arriscar suas reputações ao estar envolvido com o Irã", afirmou o diplomata ao Conselho de Segurança.No caso brasileiro, as exportações para o mercado iraniano atingem valores importantes. O comércio bilateral é de US$ 2 bilhões por ano e traders em Dubai não escondem a importância do mercado. "Ninguém sabe exatamente quanta carne e outros produtos brasileiros são vendidos para o Irã via Dubai. Mas, levando em conta que não existe uma produção local de carne e o produto tem uma exportação significativa de Dubai aos portos iranianos, imagina-se que esses produtos só podem vir do Brasil", afirmou uma trader que não quis se identificar.Uma empresa de exportação de frango nacional, que teme ser identificada, conta que o maior comprador no Irã é o governo. Os alimentos são adquiridos e vendidos com preços mais baixos para a população. Maichel Mensch, diretor do escritório da Marcopolo nos Emirados Árabes, diz que os problemas internacionais do Irã facilitam a competitividade dos produtos brasileiros. A empresa fornece peças e assistência aos iranianos que compraram os ônibus brasileiros. "As peças podem ser fornecidas tanto do Brasil quanto dos Emirados", conta o representante, que visitou Teerã em 2007.

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