FOTO EPITACIO PESSOA/ESTADAO
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Produtor de soja deve pagar a conta da tabela do frete

Processadoras já compram o produto sob a condição de que o grão seja entregue no porto, a cargo do agricultor

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2018 | 04h00

O produtor de soja deve pagar a conta das incertezas provocadas pela tabela do frete. Há processadoras que estão comprando a soja, sob a condição de o grão ser entregue no porto, uma prática pouco usual. Com isso, o custo de transporte e o risco da multa, ficam com o agricultor. Normalmente, o frete era por conta da indústria.

“Não sabemos quantas empresas estão fazendo a compra CIF (Cost, Insurance and Freight - custo, seguro e frete), mas os produtores maiores estão topando entregar o grão no porto”, disse o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar. Até a safra passada, a maior parte da soja era retirada pela indústria. Neste caso, ela estabelecia um calendário para o desembarque no terminal. “Agora, imagina a carga chegando fora do cronograma e o caminhão ter de ficar esperando para descarregar”, cogitou Nassar, prevendo tumultos.

Diante das incertezas que há no setor, com a volta da multa, o presidente da entidade disse que também os agricultores que venderem a soja para ser retirada pela indústria poderão ter um desconto maior no valor recebido. “Isso afeta sobretudo os agricultores que ficam em lugares mais distantes. Eles poderão receber menos ainda por causa da tabela do frete.”

O Brasil deve colher no começou de 2019 a maior safra de soja da sua história. Projeções da Abiove apontam para uma produção de 120,9 milhões de toneladas. A venda antecipada, uma prática comum dos produtores, ficou parada até agosto em razão da tabela do frete. Depois, a comercialização começou andar, mas embutindo um custo maior. A tabela do frete majorou o transporte entre 30% e 50%, fora o risco de multa. “Hoje a compra antecipada está abaixo do que deveria.”

As exportações de soja em grão, óleo e farelo, renderam US$ 40,2 bilhões este ano, ante US$ 31,7 bilhões em 2017. Nassar disse que 2018 foi um ano bom, mas a tabela do frete impôs um passivo enorme. O custo adicional da indústria para cumprir a tabela na movimentação da safra é de R$ 5 bilhões.

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