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Produtor independente vai oferecer energia que falta

Leilão de hoje tenta zerar rombo de 3,3 mil megawatts do setor e terá contratos de até cinco anos de duração

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2014 | 02h09

Os produtores independentes de eletricidade vão participar do leilão emergencial de energia de hoje em busca de contratos que lhes deem segurança para os próximos cinco anos. Com isso, o setor dará uma certa ajuda para que Eletrobrás e Petrobrás consigam oferecer ao mercado os 3,3 mil megawatts (MW) médios necessários para zerar o rombo do setor de distribuição.

 

"O preço do leilão é bastante atrativo, considerando que são até cincos anos de contrato. O preço da energia no curto prazo hoje está alto e lucrativo para os geradores, mas a tendência é cair no próximo período. Um contrato longo dá mais segurança para a atividade", avaliou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), Luiz Fernando Vianna.

 

De acordo com ele, muitos associados da entidade pretendem ingressar no leilão oferecendo potências razoáveis, de até 100 MW médios. "É um leilão ultra mega importante para dar estabilidade para o setor. Qualquer contratação já será lucro. Acredito que pelo menos 50% da demanda será garantida, mas há sim boas chances de se chegar a 100% de contratação", acrescentou.

 

O objetivo do leilão de hoje é contratar 3,3 mil MW de energia para reduzir o rombo provocado pela falta desse montante no leilão realizado no fim do ano passado. Como as distribuidoras não conseguiram comprar essa eletricidade em contratos de longo prazo em dezembro, estão precisando recorrer ao mercado à vista, que cobra muito mais caro. Em outra frente, o governo articulou um empréstimo bancário de R$ 11,2 bilhões para aliviar o caixa das distribuidoras.

 

Estatais. Vianna destacou que a maior parte da energia oferecida deverá ficar a cargo mesmo da Eletrobrás e da Petrobrás. Segundo o executivo, o setor de produção independente ajudará, mas o ideal mesmo seria que as estaduais Cemig, Cespe e Copel participassem.

 

"Infelizmente essas companhias devem ficar mesmo fora do leilão porque suas concessões de geração acabam em 2015. Dessa forma, elas não teriam como arcar com contratos que duram até 2018", explicou Vianna.

 

O executivo comentou ainda que a Apine tem acompanhado com preocupação as notícias de uma eventual necessidade de racionamento de energia elétrica devido ao baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

 

Embora o governo negue a existência de um plano para adotar medidas nesse sentido, a entidade iniciou consultas a autoridades do setor para solicitar que, caso seja mesmo necessário, essa decisão seja acompanhada de ajustes regulatórios que preservem a atividade de geração.

 

"Se houver por exemplo um racionamento de 10% da carga, é necessário que os contratos das geradoras também sejam ajustados nos mesmos 10%. Caso contrário, o setor de geração poderá ficar com um rombo parecido com o que afeta hoje o setor de distribuição", afirmou. "Sem isso, você resolveria o problema dos reservatórios, mas criaria outro financeiro", completou.

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