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Produtor investe e garante ano bom para seguradoras

Se a expectativa se confirmar, o setor fechará dezembro com um valor anual próximo de R$ 4,9 bilhões

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 05h00

As seguradoras festejam os resultados obtidos em 2018 com produtos para a agropecuária. A maior demanda é por seguro agrícola, modalidade de proteção de lavouras contra prejuízos causados pelo clima ou receita abaixo do esperado. “Como a demanda em geral foi crescente, podemos avançar mais de 20%”, conta Joaquim Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Em 2017, as companhias faturaram R$ 4,12 bilhões com produtos para o campo. Neste ano, até setembro, mês com os últimos dados disponíveis, o montante das vendas de seguro agrícola, de penhor de bens e benfeitorias, entre outras categorias, chegava a R$ 3,4 bilhões, mais de 15% acima de igual período do ano passado. Se a expectativa se confirmar, o setor fechará dezembro com um valor anual próximo de R$ 4,9 bilhões.

De vento em popa

Joaquim Neto diz que produtores têm investido mais na qualidade da lavoura, o que aumenta o interesse pelas apólices. Investimento em maquinário também puxa as vendas, já que um dos requisitos para obter financiamento é segurar o bem. Para 2019, é esperado um crescimento de 20% na receita com seguro agrícola, especificamente, já que o governo deve ampliar para R$ 430,5 milhões os recursos para custear parte da apólice ao produtor - ante R$ 386 milhões em 2018. O porcentual subvencionado, entretanto, deve cair para 30% a 40% do valor do seguro, sendo que este ano foi de 35% a 45%. “Com isso, mais produtores devem conseguir contratar”, diz Joaquim Neto. 

Tira daqui, põe lá

Ainda sobre o tema, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não conseguiu convencer a Comissão Mista de Orçamento do Congresso a somar R$ 150 milhões aos R$ 430,5 milhões já previstos para 2019. Por outro lado, obteve R$ 160 milhões extras, além dos R$ 25 milhões prometidos, para a defesa agropecuária. Mas a entidade não se dá por vencida. “Se o governo consentir que dá para rearranjar parte do orçamento do crédito ou outras áreas para o seguro, é possível aumentar”, diz Fernanda Schwantes, assessora técnica da CNA. 

Aqui, não

Na defesa agropecuária, o dinheiro será usado para combate e prevenção da febre aftosa, erradicada no Brasil com a vacinação do rebanho na maioria das regiões, mas presente nos vizinhos Venezuela e na Colômbia. Haverá também medidas de contenção da peste suína clássica, brucelose, tuberculose e mosca-das-frutas. “Os recursos serão destinados aos Estados, via convênio, para evitar a entrada de animais sem fiscalização nas fronteiras e fortalecer a inspeção de produtos de origem animal e vegetal”, explica Lilian Figueiredo, coordenadora de Produção Animal da CNA. 

Poupa

A retirada da vacinação contra febre aftosa em Rondônia, Acre, Paraná e parte de Mato Grosso, a partir de 2019, deve resultar em uma economia de R$ 2 por animal, calcula o assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA, Ricardo Nissen. Só nos três primeiros Estados o custo de produção deve cair R$ 52,2 milhões no ano que vem. A medida faz parte do plano estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa). 

Aval

 Documento da Federação Brasileira e Bancos (Febraban), da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da B3 encaminhado ao Ministério das Minas e Energia avaliza a nova política nacional de biocombustíveis (RenovaBio). O estudo concluiu que o programa, além de iniciativa concreta para reduzir emissões, é positivo aos produtores e importadores por trazer previsibilidade ao mercado e biocombustíveis. “O setor financeiro e o mercado de capitais têm interesse que o RenovaBio prospere e ofereça oportunidade aos clientes”, relatam.

Mais consumo

As entidades do setor financeiro avaliam, no entanto, que os Créditos de Descarbonização (CBIOs), a serem comercializados para compensar as emissões de combustíveis fósseis, não devem resultar em uma receita expressiva aos produtores de biocombustíveis no curto prazo. O faturamento extra virá mesmo do aumento da venda de etanol e biodiesel. 

Engenharia

O cronograma prevê que até julho de 2019 haja a regulamentação da engenharia financeira para que os CBIOs possam ser comercializados. Para isso, o governo acredita que serão necessárias autorizações e regulamentações da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. 

 

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