John Deere
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‘Produtor rural tem confiança no seu negócio e vai seguir em frente’

Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea, diz que guerra comercial entre EUA e China vai favorecer o Brasil nas exportações

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2018 | 05h00

O mercado de máquinas agrícolas acumula queda de 2,3% nas vendas no primeiro semestre ante 2017, com 19,8 mil unidades, mas está pronto para uma virada. No início do ano, a previsão dos fabricantes era de crescimento de 3,7%. A guerra comercial entre EUA e China, que estabeleceu tarifas de 25% nas transações, vai favorecer o Brasil nas exportações de soja e os produtores vão precisar ampliar ou atualizar suas frotas. “Agora nossa projeção é de alta de 7%”, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Alfredo Miguel Neto, que é diretor da John Deere. As vendas devem atingir 45,4 mil unidades, ante 42,4 mil em 2017.

O que faz o setor acreditar em venda superior à projetada inicialmente?

Os EUA exportam 60% de sua soja para a China. Com as barreiras comerciais, a China está se voltando para o Brasil e começou a pagar prêmio pela soja brasileira (valor acima da cotação internacional para fazer reserva futura de compra). Temos ainda o Plano Safra, que é bom, e a desvalorização cambial, que também ajuda nas exportações. Além disso, os produtores de algodão ampliaram a área de plantio em 200 mil hectares neste ano e, no próximo, vão ampliar em mais 100 mil hectares. 

E como esse movimento vai se reverter em alta de vendas de tratores?

A rentabilidade do produtor está alta. A inadimplência está em 1,5%, a mais baixa da história. Ele não está mais se deixando ficar no limbo, ou seja, na indecisão se vai ou não investir, por exemplo em razão da instabilidade política. Ele tem confiança no seu negócio e vai seguir em frente. A tendência é adquirir equipamentos novos, com tecnologia de ponta para melhorar a produtividade.

Como estão as vendas hoje?

Em junho, o setor vendeu 4.919 máquinas agrícolas e rodoviárias, quase 50% a mais que em maio e 28% superior aos dados de junho de 2017. No ano, estamos com vendas negativas em 2,3%, mas vamos reverter para dados positivos este mês ou em agosto. Até o fim do ano a alta deve chegar a 7%. Na produção, esperamos crescer 14%, totalizando 60,4 mil unidades. Antes, prevíamos 12%. As exportações vão aumentar 15%, para mais de 15 mil unidades.

Há novos planos de investimentos por parte das fabricantes?

Não tenho um valor específico para informar, mas há planos sim, pois o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e, para atender à demanda dos produtores, certamente a indústria vai investir não só no parque fabril, mas em novas tecnologias.

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