Produtores argentinos não querem subsídio para leite

O presidente da Federação de Centros de Tanques Leiteiros da província de Santa Fé, na Argentina, Gustavo Colombero, rejeitou a possibilidade de que o governo conceda um subsídio mensal para o setor. A proposta de criar um subsídio para os produtores tem o objetivo de conter os preços ao consumidor diante da ameaça das indústrias de aplicar fortes aumentos do leite a partir de março. Com a queda de 15% na produção no ano passado, comparando com 2001, os produtores abandonaram suas atividades e cerca de 1500 estabelecimentos leiteiros fecharam suas portas.Gustavo Colombero afirmou que oficialmente a proposta não foi feita às entidades do setor mas o assunto tem sido discutido pelos corredores dos ministérios de Economia e de Produção. Porém, ele é contra a aplicação de subsídio e também de retenções (impostos) porque acredita que a solução "não passa pelos subsídios, os quais poderiam gerar fortes polêmicas com os países que importam o produto argentino, como o Brasil", lembra ele.Guilhermo Ernesto Draletti, presidente da União Geral dos Produtores, afirmou que a idéia de subsidiar a produção de leite vem sendo discutida há mais ou menos um ano mas "a intenção do governo não passou de promessa até o momento". Draletti argumenta que a crise do setor leiteiro ocorre porque os preços do leite foram os mais baixos da última década. Segundo seus cálculos, o produtor deveria receber 50 centavos por litro em vez do preço atual que varia, conforme o teor de gordura do leite, entre 32 ou 42 centavos. Desta forma, ele acredita que subsidiar o setor seria a saída menos adequada. "O que nós queremos é que as medidas a serem adotadas passam pelo refinanciamento das dívidas dos produtores mais necessitados e que se termine com as retenções às exportações, as quais não nos afetam diretamente mas que facilitariam um acordo com as indústrias", explicou.Draletti dispara contra o governo dizendo que "é muito contraditório querer subsidiar quando nos discriminam com medidas tributárias e financeiras exarcebadas". Uma fonte do governo informou que a adoção de subsídio "daria muita dor de cabeça com os sócios do Mercosul, principalmente com o Brasil". Por isso, a equipe econômica "está tratando de elaborar uma política sustentável para o setor" e que dentro de "pouco tempo" haveria uma proposta para ser feita aos produtores.

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