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Produtores argentinos planejam nova greve

A Federação Agrária Argentina (FAA) ameaça fazer uma greve nacional contra a política econômica do governo e pelo que chama de "falta de consideração" do presidente Eduardo Duhalde com o setor rural. Segundo Eduardo Buzzi, presidente da entidade, a data da paralisação deve ser anunciada ainda hoje. A FAA é a maior organização rural do país, reunindo 120 mil pequenos e médios agricultores. "Vamos fazer muito barulho e mostrar nosso descontentamento num protesto nacional", afirmou Buzzi. Os protestos devem incluir uma marcha até a capital, Buenos Aires, e o bloqueio das rodovias que ligam as áreas produtoras aos portos. A greve pode ter impacto nas exportações de grãos, oleaginosas e derivados, de onde o governo tira grande parte de sua renda. A agricultura representa 50% das exportações da Argentina, que em 2001 geraram US$ 26,2 bilhões. "Duhalde faz promessas todos os dias, mas continua mudando de idéia a cada exigência do Fundo Monetário Internacional", reclama o presidente da FAA. Duhalde tinha prometido reduzir de forma gradual as taxas que incidem sobre as exportações de commodities agrícolas impostas em fevereiro, o que não ocorreu até agora. Além disso, os produtores têm de lidar com o aumento dos preços do diesel, insumo que nem sempre está disponível. Outra reclamação é que o governo não encontrou uma solução para as dívidas em dólar dos produtores junto aos seus fornecedores. Os produtores também querem que Duhalde dê ao secretário de agricultura poder estratégico e autoridade para decidir questões que promovam o setor. A Argentina teve quatro secretários de agricultura em 14 meses. Eles têm o estatus de ministro. A falta de crédito também preocupa já que os bancos estatais reduziram os empréstimos para reter capital. Essas instituições são as principais fontes de crédito dos produtores.Outras entidades agrícolas, como a Confederação Rural Argentina (CRA), com 100 mil associados, e a Sociedade Rural Argentina (SRA) a mais antiga e tradicional estão sendo pressionadas para participar da greve. A CRA fez uma paralisação de quatro dias no final de abril, mas não teve a adesão da FAA e da SRA. Leia o especial

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