Produtores argentinos retomam protesto por imposto de exportação

Milhares de produtoresagrícolas argentinos concentraram-se no acostamento de estradasna quinta-feira e começaram a suspender o envio de grãos aserem exportados, retomando os protestos contra o governoresponsáveis pelo aumento do preço da soja nos mercadosmundiais. Os líderes do setor na Argentina -- um importantefornecedor mundial de milho, trigo e soja -- romperam naquarta-feira semanas de negociações tensas com o atual governodo país, reclamando que as autoridades negavam-se a modificar anova taxa sobre as exportações de soja. Os produtores pretendem impedir a chegada de seus produtosa mercados como a bolsa de grãos de Rosário, a principal fontede soja para beneficiadores e exportadores da Argentina, até odia 15 de maio. Mas eles afirmaram que não fecharão as estradas, comofizeram nas três semanas de manifestação em março contra o novosistema de taxação, ações que prejudicaram o fornecimentoregional de alimentos, levando o governo a acusar o setor deestar apenas prejudicando os argentinos. "A única coisa que eles (o governo) fazem é mentir para opovo. No entanto, felizmente, o povo acredita na gente e nospede para que sejamos duros", afirmou Alfredo de Angeli, umfazendeiro da província de Entre Rios que ficou famoso nasmanifestações de março devido a inflamados discursos aosmanifestantes. De Angeli conversou com um canal argentino de TV noacostamento da auto-estrada 14, uma importante rota de ligaçãodo país com o Brasil, o Chile e o Uruguai. As imensas terras férteis da Argentina fizeram do país osegundo maior exportador de milho do mundo, o terceiro maior desoja e o quarto maior de trigo e carne bovina. Os protestos de março provocaram desabastecimento emsupermercados da Argentina e impuseram à presidente do país,Cristina Fernández de Kirchner, a maior crise de seu governo,iniciado cinco meses atrás. A ação também atingiu as remessas de grãos, e o mercado defuturos da soja norte-americana registrou alta na quarta-feiradevido à possibilidade de que ocorram novas paralisações nasvendas. O governo criticou os ruralistas por retomarem asmanifestações. "Essa é uma decisão altamente irresponsável e que não fazsentido nenhum. Trata-se, nesse caso, de defender os interessesde apenas um setor e não o interesse comum", afirmou o ministroargentino do Interior, Florencio Randazzo. Cristina recusou-se a voltar atrás na imposição do sistemade taxas móveis e defende que o aumento do imposto deexportação sobre produtos agrícolas é uma forma de redistribuira renda e combater a inflação em um país onde um quarto dapopulação vive na pobreza. As exportações de soja renderam à Argentina 13,47 bilhõesde dólares no ano passado, ao passo que a venda de produtosagropecuários no exterior respondeu por 52 por cento do totaldas exportações argentinas, totalizando 29,13 bilhões dedólares. (Por Cesar Illiano e Lucas Bergman)

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