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Produtores brasileiros pedem reação contra Farm Bill

Os produtores brasileiros decidiram reagir contra mais uma avalanche de subsídios concedidos à agricultura americana por meio da nova Lei Agrícola dos Estados Unidos ? a Farm Bill - , aprovada no início desta semana. A Associação Brasileira dos produtores de Algodão (Abrapa) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) querem que o governo brasileiro autorize, por meio do Departamento de Defesa Comercial (Decom), a cobrança de uma sobretaxa de 115% para o algodão americano que ingressar no Brasil.O presidente da Abrapa, Jorge Maeda, disse que esta taxa corresponde à diferença entre o preço que o produto americano é vendido nos Estados Unidos e aquele que é cobrado para o produto exportado para o Brasil. Esta medida, caracterizada como ?direito anti-dumping provisório? vigoraria até que o Decom conclua o processo encaminhado em março deste ano pela entidade.Nesse processo, a Abrapa pede a concessão de direitos compensatórios e anti-dumping porque o produto americano é exportado para o mercado brasileiro por preços inferiores àqueles praticados nos Estados Unidos. ?Esta é uma medida pontual e de curto prazo que nos ajudará a enfrentar a concorrência desleal dos Estados Unidos?, afirmou.Cálculos da CNA indicam que o produtor americano recebe atualmente o equivalente a US$ 17,17 a arroba (15 quilos), com os subsídios que vigoram até setembro deste ano. A partir daí, com a nova Lei Agrícola (Farm Bill) passarão a receber US$ 23,94 por arroba. O algodão americano é exportado para o Brasil por US$ 11,57 a arroba, conforme cotação da Bolsa de Nova Iorque para entrega em junho próximo, segundo o assessor econômico da CNA, Getúlio Pernambuco.O presidente da Abrapa, Jorge Maeda, disse que há algodão nacional disponível para abastecer plenamente a indústria.?Não há porque fazer importação?, salienta. Durante audiência pública que será realizada em sessão conjunta das comissões de Agricultura e Economia, nesta quinta-feira, as duas entidades vão pedir apoio ao Congresso Nacional para que o governo autorize a sobretaxa ao algodão importado dos EUA.Os Estados Unidos são o maior exportador mundial de algodão, com uma produção estimada em 4,4 milhões de toneladas para este ano, e 66% da renda dos produtores de algodão são procedentes dos cofres públicos, via subvenções.Segundo a associação, a guerra comercial com os americanos já penalizou os produtores brasileiros. A produção da safra deste ano (2001/02) terá uma redução de 15,9%, em função da redução da área de cultivo, motivada pela queda dos preços do produto no mercado internacional. Como conseqüência, o faturamento em 2002 será reduzido para US$ 611,19 milhões contra os US$ 755,09 milhões obtidos no ano passado.Em paralelo ao processo encaminhado ao Decom, a Abrapa e a CNA, em conjunto com o Ministério da Agricultura, estão preparando a documentação que deverá embasar o questionamento da política de subsídios dos EUA para o algodão junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), a exemplo do que está sendo feito com a soja.

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