Produtores de algodão orgulhosos por vitória na OMC

A decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) no contencioso entre Brasil e Estados Unidos sobre o algodão foi uma "vitória esmagadora", disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda. "Devemos nos sentir orgulhosos, porque foi uma vitória para o Brasil, uma vitória com letras maiúsculas".De acordo com o diretor-executivo da entidade, Hélio Tollini, a decisão foi favorável ao País em todas as suas reclamações. Ele acha que a decisão terá desdobramentos importantes para a economia brasileira. "Todo o agronegócio vai se beneficiar dessa decisão", afirmou. "É um marco histórico, porque pela primeira vez se questiona o âmago da política dos Estados Unidos". Na sua avaliação, a decisão da OMC terá será um "enorme apoio político" às teses defendidas pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, nas negociações internacionais. "Com essa decisão, passam a olhar o Brasil com mais atenção, vêem que esse é um país que não é bobo".Não é de se esperar que os Estados Unidos apliquem pacificamente a decisão da OMC, advertiu Tollini. Se eles não cumprirem a decisão, o Brasil terá direito a retaliações comerciais. "Mas essa é outra discussão", disse. Na sua avaliação, o mais importante foi a vitória da tese que os EUA aplicam subsídios contrários às regras internacionais de comércio. De acordo com estimativas da Abrapa, o fim dos subsídios americanos provocará um aumento aproximado de 13% no preço internacional do algodão e uma redução da ordem de 16% na participação americana no mercado.Segundo Maeda, as exportações brasileiras de algodão não mostrarão de imediato os reflexos da decisão. "Nós sempre tivemos bastante pé no chão para saber que isso não dá efeitos imediatos", afirmou. "O importante é que essa decisão mostra que o Brasil é viável e será um dos maiores produtores de algodão do mundo". O incremento nas exportações, acredita Maeda, ocorrerá ao longo do tempo. "O que está sendo definido é uma tendência", disse.

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