Felix Leal/AEN
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Produtores de celulose anunciam reajustes a partir de outubro e Klabin será a primeira

Decisão veio após um longo período de preços baixos e acompanha o aumento gradual da demanda no Brasil, apontam analistas; produtores da Europa já anunciaram aumento de US$ 40 a tonelada

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 11h00
Atualizado 11 de setembro de 2020 | 11h41

Correções: 11/09/2020 | 11h41

Depois de um longo período de preços baixos, os produtores de celulose devem começar a anunciar novos reajustes a partir do mês que vem. A decisão já foi tomada pela Klabin, que vai acompanhar o índice Foex no reajuste dos preços de fibra longa a partir de outubro, segundo o diretor de Negócio de Celulose da companhia, Alexandre Nicolini. A Suzano, que está em período de silêncio por conta da operação de follow-on do BNDES, preferiu não se manifestar. Recentemente, porém, o presidente da companhia, Walter Schalka, disse que embora os produtores estejam gerando caixa, não há como obter retorno sobre o capital empregado com os atuais níveis de preços, que considera insustentáveis.

Para os analistas do setor, além do aumento gradual da demanda no Brasil, a indústria deve se beneficiar no quarto trimestre das paradas mais recorrentes da produção, que limitam a oferta e possibilitam novos aumentos de preços.

"A tendência de preços para a fibra longa é de alta desde este mês e o movimento vai continuar no quarto trimestre", diz Nicolini. Segundo ele, a empresa acompanha o índice Foex Europa e seguirá com a implementação do aumento que se dará a partir de 1º de outubro. "Com níveis de estoques mais baixos, o mercado melhorou muito", afirma. "Produtores tanto no Canadá quanto na Europa já anunciaram aumentos e houve uma guinada de preços no mercado chinês, com aumentos de US$ 40 por tonelada."

Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, diz que desde o fim do ano passado os preços estão entre US$ 450 e US$ 460 a tonelada, quando o ideal seria US$ 500. Segundo ele, com o aumento gradual da demanda, após um período fraco de julho a setembro por conta das férias de verão no hemisfério norte, e as paradas técnicas para manutenção das fábricas, os aumentos devem ocorrer no quarto trimestre.

"Os produtores dizem que o nível de preços está insustentavelmente fraco. Eles têm razão: o preço está abaixo do custo marginal de produção. Isso significa que tem parte da indústria perdendo dinheiro já há algum tempo e produtores fecharam operações ou pararam momentaneamente para deixar de perder dinheiro. Agora, com o aumento gradual da demanda, há espaço para aumentos de preços durante o quarto trimestre", diz Sasson.

Produtos para escritório

Se por um lado houve demanda forte dos setores de papeis para fins sanitários (lenços de papel e umedecidos) no primeiro trimestre, por causa da preocupação com a higiene no meio da pandemia, do outro foi registrada queda abrupta na demanda de papel de imprimir e de escrever, com o home office e a paralisação das aulas. Isso tudo, diz Sasson, impactou a demanda, e tirou qualquer possibilidade de aumentos de preços.

"Agora, essa recuperação gradual, porém sequencial, de demanda associada as paradas de manutenção mais fortes no segundo semestre vão deixar no mercado a dinâmica de oferta e demanda mais apertada, possibilitando aumento de preço no quarto trimestre", afirma.

Nicolini, da Klabin, diz que a demanda no segmento de imprimir e escrever teve queda significativa, entre 25% e 30%, com a pandemia. Como o segmento consome 30% da celulose do mundo, o impacto é muito grande. A boa notícia é que o retorno tem sido gradual, mas constante desde agosto. Ele diz que setembro já foi melhor e as perspectivas são boas para o quarto trimestre. Sobre a situação dos estoques, ele diz que o segmento de fibra longa está melhor do que na fibra curta, no qual os níveis estão mais baixos no mundo inteiro.

"A situação dos produtores de papéis em geral começou a melhorar desde meados de agosto. Há alta constante tanto dos produtores de higiênicos e também dos produtores de imprimir e escrever que gradualmente começam a retornar a atividade e consequentemente consumir mais celulose", diz Nicolini.

Demanda

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, também afirma que há espaço para aumentos de preços e as empresas farão todo o esforço para reajustar os valores.

"A grande questão é como será a resposta da demanda. A Suzano, por exemplo, é uma maquina de geração de caixa. Com o dólar mais baixo, eles foram operacionalmente bem no primeiro trimestre e, especialmente, no segundo. Mas o fato é que os preços atuais do mercado de celulose de fibra curta na China não são competitivos. Estimamos US$ 500 um preço ideal. Mas o preço segue abaixo, na casa dos US$ 450 por tonelada. Isso faz com que companhias tenham de ter volume absurdo para diminuir as perdas", diz.

Em relatório divulgado hoje, os analistas do Credit Suisse Caio Ribeiro e Gabriel Galvão dizem que a demanda por papel e celulose no Brasil avançou em agosto e está caminhando para a normalização. Na América Latina, dizem, o mercado consumidor aumentou as encomendas mês após mês e os segmentos mais afetados devem observar a partir de agora alta nos volumes. Já na Europa, a recuperação é lenta e os preços devem continuar pressionados.

Correções
11/09/2020 | 11h41

A Klabin vai acompanhar totalmente o índice Foex no reajuste dos preços de fibra longa a partir de outubro, diferentemente do publicado anteriormente.

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