Produtores de perecíveis têm prejuízos com bloqueios

Grupo avícola de Sorocaba teve quatro caminhões com frango embalado e refrigerado retidos em manifestações  

José Maria Tomazela, da Agência Estado,

02 de julho de 2013 | 17h45

Produtores de alimentos perecíveis já contabilizam prejuízos com o bloqueio de rodovias pelos caminhoneiros em protesto contra as tarifas de pedágio. Um grupo avícola de Sorocaba teve quatro caminhões com frango embalado e refrigerado retidos em manifestações desde a manhã de segunda-feira, 1º.

Três cargas que seguiam para São Paulo pararam no bloqueio da rodovia Castelo Branco, na segunda-feira. Outro caminhão frigorífico foi barrado na manhã desta terça-feira, na rodovia Domêmico Rangoni, próximo de Cubatão. A carga com cortes especiais de frango seguia para o Guarujá. "Felizmente a tropa de choque da Polícia Militar liberou a estrada e só perdemos tempo", contou o operador de logística da empresa, Leandro Baldino.

Na segunda-feira, segundo Baldino, um caminhão ainda conseguiu retornar para a matriz, em Sorocaba. Outros dois ficaram presos no congestionamento mais de oito horas. "Salvamos a carga porque são veículos refrigerados, mas tivemos prejuízo de tempo, combustível e o valor do pedágio que foi pago para chegar até ali." De acordo com o operador, o pior é que um dos clientes que não recebeu a encomenda comprou de outro fornecedor. "O cliente que não recebe o produto não quer saber se a estrada está bloqueada."

O setor de logística da empresa monitora as condições das rodovias para programar as entregas, mas os bloqueios têm ocorrido de improviso. "Sabíamos que haveria manifestações, mas o local e horário não foram divulgados de forma antecipada", disse Baldino.

A Granja Shinoda, de Porto Feliz, teve de retornar com uma carga de 216 mil ovos que seriam entregues para uma rede de supermercados da capital paulista, na segunda-feira. O veículo ficou preso na manifestação da Castelo Branco. "Quando a pista foi liberada, não havia mais tempo para a entrega", disse Roseli Aquino, responsável pelo setor de controle da granja. Segundo ela, os ovos destinados ao varejo têm validade de apenas trinta dias. "Um dia perdido representa custo", disse.

Uma ligação para o serviço de atendimento ao usuário da concessionária da Castelo Branco livrou o produtor agrícola José Carlos Godinho, de Sorocaba, de perder uma carga de couve-flor. "Já tive prejuízo com manifestações, por isso antes de liberar a carga ligo para saber como está o trânsito." Na segunda-feira, às 5 horas, ele recebeu a informação de que manifestantes estavam fechando a estrada e suspendeu a saída do caminhão. Um primo dele, que seguia para o Ceasa de São Paulo com uma carga de berinjela perdeu mais de 30% do produto. Como chovia na hora do embarque, o caminhão foi coberto com lona e, ao ficar parado mais de cinco horas na rodovia, o legume "cozinhou" sob o calor - um prejuízo de R$ 4 mil.

Tudo o que sabemos sobre:
ProtestosAlimentosPrejuízo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.