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Produtores de petróleo preveem preços estáveis

Ministros do petróleo durante conferência em Abu Dabi acreditam que o preço do barril vai se estabilizar em torno de US$ 60 nos próximos meses

Sergio Caldas, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2014 | 23h00

Ministros do petróleo que participam de uma conferência sobre energia em Abu Dabi previram ontem que os preços da commodity deverão se estabilizar. Desde junho, as cotações do petróleo já caíram quase 50%, em meio a preocupações com a oferta excessiva e a demanda fraca.

O representante do Iraque, Adel Abdul-Mehdi, calcula que os preços vão se estabilizar em torno de US$ 60 por barril. “Acho que vão de estabilizar nesse nível porque essa é a média do custo de produção de outras fontes”, comentou ele.

Suhail Mohamed Faraj Al-Mazrouei, ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, acredita que a queda recente terá um impacto enorme nos países árabes exportadores da commodity, mas afirmou que a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), no mês passado, de manter o teto de sua produção em 30 milhões de barris por dia, permitirá que os mercados encontrem o equilíbrio e será positivo para a economia global.

“Um dos principais motivos que causou o recuo nos preços foi a produção irresponsável de alguns países que não pertencem à Opep”, disse Al-Mazrouei, acrescentando que a estabilização deverá vir quando a produção de fora do cartel for ajustada com a demanda.

O iraquiano Abdul-Mehdi acha que ainda é cedo para dizer se a Opep tomou a decisão certa na reunião de novembro, mas a situação deverá ficar mais clara no primeiro semestre de 2015.

Para o ministro do petróleo kuwaitiano, Ali Saleh Al-Omair, a manutenção do teto atual pela Opep foi uma “boa ação” porque não é justo que integrantes do grupo reduzam a produção, ao mesmo tempo que os concorrentes ampliam a sua e fazem novos investimentos. Al-Omair também defendeu algum tipo de cooperação entre todos os países envolvidos no mercado global de energia, incluindo os que não fazem parte da Opep.

Segundo o ministro saudita da área, Ali al-Naimi, a falta de cooperação de não integrantes da Opep, informações desencontradas e a especulação nos mercados são as causas por trás do drástico recuo nos preços do petróleo. Naimi também refutou alegações de que a política da Arábia Saudita, o maior representante da Opep, tenham como objetivo prejudicar países específicos.

Na visão de Mohammed Saleh Al-Sada, ministro do petróleo do Catar, a trajetória de queda dos preços é apenas uma “correção temporária” e grandes investimentos serão necessários para atender o crescimento da demanda no futuro.

Bolsas. As ações negociadas no Golfo Pérsico tiveram forte alta ontem, ampliando os ganhos vistos no fim da semana passada, com a demanda dos investidores ainda aquecida após a forte desvalorização dos papéis causada pela queda recente nos preços do petróleo.

Apesar da forte queda do petróleo, na sexta-feira, porém, os preços futuros de petróleo tiveram o maior avanço porcentual em mais de dois anos, enquanto os participantes dos mercados em Londres e Nova York tentavam determinar se a commodity já atingiu seu valor mínimo.

Os investidores também estão otimistas que os países da região irão expandir seus orçamentos, apesar da queda na receita vinda do petróleo.

O mercado de Dubai liderou os ganhos regionais ontem: o índice DFM saltou quase 10%, a 3.765,35 pontos, após avançar 13% no pregão anterior. Na quarta-feira, o DFM acumulava perdas de 35% desde meados de novembro. Em Abu Dabi, o ganho foi de 3,5%, a 4.516,65 pontos, enquanto em Doha, o principal índice acionário subiu 7,6%, a 12.029,59 pontos.

Na Arábia Saudita, que tem o maior mercado do Oriente Médio, o índice local teve alta de 2,5%, a 8.525,39 pontos, ampliando para 16% a valorização das três últimas sessões. / COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES

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