Produtores de vinho pedem limitações às importações argentinas

O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Viticultura, Vinhos e Derivados, Hermes Zaneti, voltou a defender nesta quarta-feira a adoção, por parte do Brasil, de políticas comerciais que limitem as importações de vinho da Argentina. Uma das propostas dos produtores é que a bebida importada da Argentina pague taxa entre US$ 0,60 e US$ 0,75 por garrafa, dependendo do tipo do vinho. Essa regra também valeria para os demais países do Mercosul. Hoje o imposto de importação é de 27%, mas a bebida produzida na Argentina, Paraguai e Uruguai não é taxada. Ele participou de audiência pública para discutir a situação do setor vinícola na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal. "Não somos contra a importação, mas contra um tipo de comércio desleal e predatório, que venha a assaltar o País com produto de baixa qualidade", afirmou Zaneti. Outra alternativa é impor cotas. As importações da Argentina seriam limitadas a seis milhões de litros por ano, volume comercializado em 2003. A expectativa da iniciativa privada é de importações da ordem de vinte milhões de litros de vinho da Argentina neste ano. O ingresso formal tem crescido. Em 1996, foram importados 600 mil litros de vinhos só da Argentina. Em 2003, esse número subiu para 5,8 milhões de litros. No ano passado, foram 11,2 milhões de litros. Além disso, o setor alerta para o contrabando. Tributação O coordenador de Tributação sobre Produto e Comércio Exterior da Secretaria da Receita Federal, Helder Silva Chaves, afirmou que o governo conhece as reivindicação do setor, mas disse que qualquer tipo de medida "envolve uma negociação no âmbito do Mercosul". Para ele, o problema é o preço de venda do vinho argentino, que pode custar até R$ 1,20 por garrafa no Brasil, de acordo com Zaneti. Ele lembrou que os produtores nacionais pagam 53% de impostos, o que, segundo ele, não acontece na Argentina. "As indústrias argentinas que fabricam garrafas conseguem empréstimos do governo a juro de 3% ao ano. Essa vantagem é repassada aos produtores de vinho. No Brasil, não temos esse benefício. Pagamos juro de 3% ao mês", afirmou o presidente da câmara. Zaneti calculou que o custo mínimo para produzir vinhos no Brasil é de R$ 3,76 por garrafa.

Agencia Estado,

11 Maio 2005 | 14h21

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