Produtores intensificam protestos contra a crise em Goiás

Produtores rurais de Goiás decidiram intensificar nesta quarta-feira os protestos contra a política agrícola do governo federal. Um dia antes do anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2006/2007, previsto para a próxima quinta-feira em Brasília, em dezenas de cidades os tratores já estão posicionados, à beira das rodovias, para bloqueá-las ou estreitá-las.No momento, são 40 cidades que aderiram ao movimento, segundo levantamento da Federação de Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) e que estão mobilizadas para bloquear as principais estradas utilizadas para escoamento da produção. Um total de 108 pontos de armazéns, cooperativas agrícolas e algodoeiras tiveram suas atividades paralisadas ou bloqueadas.Uma das rodovias mais visadas é a Belém-Brasília (BR-153), que corta o Estado no sentido Sul-Norte, e que será "estreitada" na manhã desta quinta-feira. Nesta quarta pela manhã, produtores da cidade de Uruaçu, ao Norte do Estado, com cerca de 40 máquinas como tratores e colheitadeiras, começaram a se posicionar às margens da estrada. Outra grande movimentação aconteceu na BR-060, na região Sudoeste do Estado, onde as máquinas agrícolas foram utilizadas para fechar a rodovia por um período de três horas.Na região conhecida por Estrada de Ferro, um cinturão formado por oito municípios localizados a pouco mais de 80 quilômetros ao sudeste de Goiânia, cidades como Silvânia e Leopoldo de Bulhões amanheceram sob decreto de um inesperado feriado municipal. Os tratores se posicionaram nas rodovias estaduais (GO-139 e GO-010) e no trevo de Vianópolis, onde os protestos ganharam adesão de produtores de Cameleira, Cristianópolis e São Miguel do Passa Quatro. "Por enquanto nós estamos panfletando e os tratores estão no acostamento", explicou o produtor de soja e leite Antonio Seneca, da vizinha Silvânia. "Mas vamos ficar aqui até o anúncio do Lula; se for bom pra nós saímos, caso contrário vamos manter o protesto", disse.Flancos Na região Sul do Estado, os produtores formaram flancos de resistência nas duas margens da rodovia GO-320, na altura do município de Joviânia, onde três armazéns das empresas G-13, Selecta e Cargil fortam fechados."Depois de sermos chamados de `fazendeiros cretinos´ pelo Lula não nos resta outra alternativa", justificou Peron Antonio Barbosa, produtor de Joviânia e vinculado ao Sindicato Rural, referindo-se ao discursos do presidente da República, na semana passada, na Contag, em Brasília.Além das estradas, os armazéns são os alvos principais dos produtores agrícolas. O Grupo Caramuru, por exemplo, teve 16 armazéns fechados em diversas regiões que aderiram aos protestos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.