Produtores rurais argentinos ameaçam retomar protestos

O setor agropecuário da Argentina ameaça com novos protestos pelas rodovias do país nas próximas horas. Segundo o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, os produtores rurais se encontram em estado de assembleia até a próxima quinta-feira, quando o Senado vai votar a prorrogação do projeto de lei que concede ao Poder Executivo faculdades especiais para remanejar o Orçamento e fixar impostos sem a aprovação do Legislativo. Dentre as prerrogativas concedidas à Casa Rosada, se encontra a imposição do imposto às exportações, chamado na Argentina de retenções.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

18 de agosto de 2009 | 19h36

O maior foco de conflito entre o governo de Cristina Kirchner e os agricultores e pecuaristas é justamente por causa da cobrança destes impostos. Os poderes especiais do Executivo expiram no fim desse mês, mas a prorrogação já foi aprovada pela Câmara e, ao que tudo indica, também será avalizada pelo Senado. Os líderes rurais tinham a esperança de que a matéria não fosse revalidada pelos deputados e senadores, após a derrota eleitoral do governo nas eleições parlamentares de junho último. Com o fim desses poderes, os ruralistas poderiam conseguir uma liminar na Justiça alegando inconstitucionalidade das retenções.

"Os produtores precisam de soluções urgentes para os problemas do setor e o governo não pode ignorar a situação financeira grave que os produtores enfrentam pela crise econômica, a seca e a falta de uma política agropecuária", reclamou Buzzi. "Se for necessário, voltaremos às rodovias para protestar", avisou. No ano passado, os produtores realizaram um boicote que durou 14 dias e provocou desabastecimento no país. Os argentinos suportaram tensão, protestos e confrontos nas rodovias durante quase três meses. Agora, os produtores retomaram a mobilização, que promete crescer nos próximos dias. Mas até o momento, ainda não falam sobre realizar um novo locaute.

Tudo o que sabemos sobre:
agronegócioArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.