Produtores rurais argentinos mostram otimismo após reunião

Os produtores rurais argentinosconsideraram "positiva" a reunião que tiveram na sexta-feiracom o governo, após uma longa paralisação agrária que provocouo primeiro terremoto político do governo da presidente CristinaFernández de Kirchner. Com o objetivo de dar início ao diálogo entre as partes, osprodutores rurais suspenderam na semana passada a paralisaçãode três semanas que gerou falta de alimentos em várias cidadesdo país e a suspensão das exportações agropecuárias. "Foi uma reunião em que se falou com muita sinceridade dasduas partes e foi positiva", afirmou Mario Llambías, presidentedas Confederações Rurais Argentinas (CRA), em entrevistacoletiva após a reunião. "Esperamos que...encontremos as soluções que não tenhodúvidas que a presidente e os argentinos querem", disse ele,presidente de uma das quatro associações rurais que lançaram oprotesto, acrescentando que na segunda-feira voltarão a sereunir com o chefe de gabinete, Alberto Fernández. Os representantes do campo asseguraram que não pensam emvoltar com a paralisação pelo menos até o fim da trégua de 30dias decidida na semana passada. Apesar de os dirigentes agropecuários terem manifestado quehouve discordâncias na reunião com a presidente, tambémcolocaram pontos em comum. "Concordamos que faz falta outra política agropecuária naArgentina. É preciso pensar nos pequenos e médios produtores.Concordamos que faz falta mais produção de carne, de leite, desuínos", declarou Eduardo Buzzi, presidente da FederaçãoAgrária Argentina (FAA). SEM VOLTAR ATRÁS Antes da reunião, o governo havia adiantado que nãovoltaria atrás na decisão de aumentar o imposto sobre asexportações -- conhecido como retenção -- de grãos e seusderivados. "Não é nisso que estamos pensando, definitivamente", dissea uma rádio argentina o chefe de gabinete ao ser questionadosobre se as autoridades poderiam anular a medida. "As retenções variáveis são um critério mais equitativoporque, quando o preço (das matérias-primas baixa), asretenções baixam, e quando o preço sobe, as retenções sobem",acrescentou ele, segundo a agência de notícias DyN. Os produtores reclamam que o novo sistema implica uma fortealta taxa cobrada sobre a venda de soja e sementes de girassol. A paralisação do setor agrícola incluiu manifestações derua e bloqueio de estradas, impedindo que alimentos e outrosprodutos chegassem às cidades e gerando enfrentamentos com oscaminhoneiros. A Argentina é um dos maiores fornecedores mundiais de grãose de carne bovina.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.