Produtos agrícolas fazem IPG-DI voltar a subir

Pressionado pelo avanço de preços, no atacado, das commodities agrícolas e dos alimentos processados, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) voltou a subir em janeiro. Após cair 0,44% em dezembro, o indicador apresentou alta de 0,01% no primeiro mês do ano. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a trajetória do índice para os próximos meses deve ser permeada de taxas positivas, mas suaves. "Não há nada que indique ?explosão? de alta de preços para os próximos resultados." Entretanto, há uma grande chance de o indicador de fevereiro ficar acima do de janeiro (0,01%), já que a taxa do primeiro mês do ano é muito próxima de zero e o índice não parece caminhar para novas deflações. Para o analista da consultoria Tendências, Gian Barbosa, o resultado demonstra "esgotamento" do processo deflacionário verificado em dezembro. "O resultado ficou acima da nossa projeção (-0,10%)." O desempenho do índice em janeiro foi fortemente influenciado pelo enfraquecimento da queda de preços no atacado, cuja deflação caiu para menos da metade (de -0,88% para -0,33%), de dezembro para janeiro. Entre os setores que contribuíram para esse cenário estão a agropecuária, cujos preços pararam de cair (de -1,3% para 2,07%). Segundo o economista da FGV, em janeiro praticamente todas as principais commodities agrícolas no atacado voltaram a subir de forma expressiva. Porém, os preços do atacado teriam apresentado taxa negativa ainda mais fraca, em relação a dezembro, se não fosse o comportamento de itens industriais, cujos preços intensificaram queda (de -0,74% para -1,03%) e compensaram, em parte, as altas em outros setores. Deflações em commodities industriais, como o minério de ferro (-1,285%) e combustíveis e lubrificantes para a produção (-1,58%) influenciaram o resultado. Além disso, Quadros comentou que o impacto da redução do IPI sobre carros, que provocou forte queda nos preços de automóveis (de -1,83% para -6,62%). O atacado não foi o único segmento a mudar sua trajetória de preços. De dezembro para janeiro, os preços do varejo também aceleraram (de 0,52% para 0,83%), ajudando a empurrar para cima a taxa do IGP-DI.

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