Produtos isentos de IR devem ter forte procura

Ativos imobiliários podem ser o destaque com a ressalva de que a chance de o preço dos imóveis perder fôlego é grande

O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h02

Os produtos financeiros isentos de tributação para pessoa física devem ganhar espaço na carteira do investidor e na recomendação dos analistas. Podem se destacar os ativos imobiliários, como os fundos imobiliários, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Os fundos imobiliários se tornaram uma das vedetes do mercado de investimento em 2012. Somente uma oferta do Banco do Brasil, o BB Progressivo II, lastreada em prédios e agências do banco, teve uma demanda de 12 vezes sobre a oferta e impulsou o mercado. A aplicação mínima era de R$ 2 mil. O fundo começou a ser vendido em 12 de dezembro e, naquele dia, negociou R$ 366,3 milhões, em 18.565 operações realizadas, segundo dados da BM&FBovespa. "Esse produto trazia rentabilidade diferenciada, isenção de impostos, mas principalmente segurança", afirma Aguinaldo Barbieri, gerente executivo da Diretoria de Mercado de Capitais e Investimentos do Banco do Brasil.

Os dados da BM&FBovespa mostram que o número de investidores em fundos imobiliários encerrou novembro de 2012 em 96.231. Em janeiro, o total era de 36.514. O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários teve uma variação de 29,31% até novembro deste ano.

O grande risco para quem investe em fundos imobiliários é saber se os preços dos imóveis terão o mesmo fôlego para subir como em anos passados, além de quais ativos compõem o fundo. "O preço dos imóveis subiu bastante nos últimos dois e três anos, mas agora é preciso olhar para frente. Será que vamos ver as mesmas altas de preço? O preço dos imóveis pode até continuar subindo, mas não vai ser na mesma magnitude", afirma Michael Viriato, professor do Insper.

O boom imobiliário pelo qual o Brasil passou teve como pano de fundo aspectos macroeconômicos, como redução da taxa de juros, elevação de crédito para o setor, baixo desemprego e, consequentemente, aumento da massa real de rendimento no País. Esses fatores, porém, podem não ser mais suficientes para promover uma nova alta de preços do setor. "O emprego teve uma melhora muito forte nos últimos anos e parece um pouco improvável que melhore muito mais. A renda ainda deve continuar crescendo, o que favorece o setor", afirma Viriato. "O investidor terá de ser mais seletivo e fazer uma análise profunda."

Para quem busca ativos imobiliários e quer um pouco mais segurança, a LCI tem característica parecida com a da poupança, diz Rossano Oltramari, analista chefe da XP Investimentos. Além de ser isenta de Imposto de Renda, têm garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 70 mil. "O risco está na instituição que emitiu o produto, e a gente recomenda sempre que o investidor fique dentro da faixa de R$ 70 mil", afirma. Esse investimento tem característica parecida com a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Já os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) são para investidores mais qualificados, acima de R$ 300 mil. "Esse produto não tem garantia e o risco também está no emissor do produto", diz Oltramari.

Fundos. Para os investidores que desejam investir em CRIs, uma das possibilidades são os fundos de CRI. "É o que a gente costuma recomendar mais porque tem um gestor que analisa, avalia, seleciona e diversifica o investimento em vários outros CRIs. Assim, o investidor não fica preso a um risco só", afirma Beto Domenici, estrategista da Rio Bravo Investimentos. / L.G.G

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