Produtos orgânicos brasileiros chegam à Alemanha

Embora tenha produtos orgânicos de qualidade, uma oferta interessante e um potencial enorme de mercado, a avaliação que se tem é de que as empresas nacionais que atuam com orgânicos ainda não conseguiram a projeção que merecem no mercado internacional. Para tentar suprir essa lacuna, a Câmara Brasil-Alemanha tem promovido, há oito anos, a participação de brasileiros na Biofach, maior feira mundial do setor. Com o apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex), cerca de 40 empresas nacionais, acompanhadas por representantes da Câmara Brasil-Alemanha, desembarcarão nesta semana na cidade alemã de Nuremberg, para participar da Biofach 2003, que começa nesta quinta-feira, 13, e se estende até domingo, 16. A intenção de ambas as instituições é que o evento funcione como uma ponte para estreitar as relações entre essas companhias brasileiras e os parceiros alemães."Vivemos um momento de virada para os orgânicos brasileiros", afirma a consultora de projetos especiais da Câmara Brasil-Alemanha, Paula Marques, que coordena a participação brasileira no evento. "Com a participação na Biofach, além de gerarmos novos negócios, conseguiremos suprir, de certa forma, o que falta ao produto orgânico brasileiro, que é conquistar o reconhecimento pela sua qualidade e seriedade." Segundo Paula, não há definida nenhuma expectativa em torno da geração de negócios ao longo da feira. A consultora explica que, durante eventos desse gênero, o mais comum é que se estabeleçam contatos e negociações, que resultem, posteriormente, em negócios. Um dos desafios da Câmara é atuar justamente nesse ponto. A instituição pretende ajudar as micro e pequenas empresas que despertarem o interesse de empresários alemães a manter relacionamento até a próxima edição da feira. "Para tanto, vamos propor novos projetos, como missões para levá-los novamente à Alemanha ou programas para trazer esses alemães ao Brasil", destaca Paula. "Além disso, nos propomos a dar toda assistência a essas empresas, especialmente àquelas que enfrentam a dificuldade da língua estrangeira". Na feiraAs brasileiras ocuparão um estande coletivo de 250 metros quadrados. Entre as participantes destacam-se a Agropalma, empresa de óleos vegetais, a Native que atua em ramos como o de açúcar, café e sucos, e o Sindicafé, presente com seis empresas de café orgânico. Pela primeira vez desde que organiza a participação de empresas brasileiras no evento, a Câmara Brasil-Alemanha estará com uma agenda definida para cada uma das empresas nacionais compõem a comitiva. Segundo a consultora da Câmara, os participantes já têm definida uma agenda composta por visitas e encontros de negócios, para fortalecer a imagem do produto orgânico brasileiro na Alemanha, país europeu que mais importa esse tipo de produto. O setorNeste ano, por conta da participação na Biofach, a Câmara Brasil-Alemanha, em parceria com os Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, pretende levantar dados mais precisos sobre os negócios gerados pelo setor. As informações mais recentes disponíveis sobre esse mercado, aferidas pelo ITV e pelo Instituto Biodinâmico (IBD), apontam que a produção orgânica brasileira movimentou US$ 90 milhões em 1998 e US$ 150 milhões no ano seguinte. De acordo com um levantamento realizado em 2001, o Brasil conta com 7.063 produtores certificados ou em processo de certificação, sendo 6.936 do setor agropecuário e 127 de processamento. Para organizar o evento, além do aporte financeiro da Apex - que arcou com 50% das despesas para a montagem do estande - , a Câmara Brasil-Alemanha contou com o apoio da Agência de Promoção de Exportações, do Sebrae, dos Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e do IBD. Leia mais sobre o setor de Alimentos e Bebidas no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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