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Produtos orgânicos ganham espaço na mesa do brasileiro

Livro mais completo sobre o tema reúne histórias de sucesso de produtores que não usam agrotóxicos

Júlia Matravolgyi, especial para o Economia & Negócios,

13 de junho de 2013 | 16h59

SÃO PAULO - Uma pequena destilaria do litoral paranaense cuja cachaça já foi provada na Casa Branca. O fazendeiro que produz o café mais caro do Brasil a partir das sementes selecionadas por um pássaro. Um produtor de hortaliças que saiu do 'vermelho' depois que parou de gastar com agrotóxicos.

As três histórias de sucesso de empreendedores que produzem produtos orgânicos e muitos outros exemplos semelhantes foram reunidas em um dos mais completos livros já editados no Brasil sobre o tema: 'Alimentos Orgânicos no Brasil - História, Cultura e Gastronomia', lançado este mês pela Editora Esplendor.

A obra trata do crescimento da agricultura livre de venenos e fertilizantes, que na década de 1970 era conhecida como 'alternativa' e hoje possui um mercado que cresce aproximadamente 25% ao ano no mundo todo.

"Há uma década, a produção de orgânicosno Brasil era limita às hortaliças", afirma Eduardo Sganzerla, um dos autores do livro. "Hoje é possível encontrar uma grande quantidade e variedade desses produtos".

Em 2011, o mercado de alimentos orgânicos respondia por 0,5% das vendas nos supermercados brasileiros. Em 2013 a participação deve triplicar e chegar a 1,5% das vendas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Atualmente, a área ocupada por produtos orgânicos cresce 30% ao ano, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Houve aumento do interesse dos produtores em função da margem de lucro que o setor oferece, por trabalhar com produtos diferenciados e mais saudáveis", diz Sganzerla.

O faturamento do setor foi de R$ 1,5 bilhão em 2012. O livro detalha a legislação, a história dos primeiros produtos, os meios de certificação, além de fatos curiosos sobre produtores brasileiros que são referência no mercado da agricultura orgânica.

A cachaça que viajou até a Casa Branca

"Não sei se o Barack Obama bebeu, mas nosso produto estava lá", afirma Mozart Batista Junior, sócio da cachaça Porto Morretes, em uma das histórias contadas no livro. Ele se refere à degustação de cachaças de que seu produto participou na sede do governo dos Estados Unidos. A preocupação com o meio ambiente rico do norte do Paraná, onde está localizada a destilaria, fez da Porto Morretes uma cachaça orgânica desde sua criação.

O café mais caro do Brasil

O Jacu, pássaro originário da Mata Atlântica, é peça chave para tornar o Jacu Bird o café mais caro do país. O ciclo começa quando o animal "ataca" a produção e instintivamente escolhe os frutos mais maduros do pé de café - como ele só consome a casca e a poupa, os grãos saem inteiros nas fezes. Em seguida, esses grãos "selecionados" são separados dos excrementos, higienizados e torrados, dando origem a um produto que custa mais R$100 por um pacote de 250g.

Salvos pelos orgânicos

Leonardo Kimiecik quase se tornou motorista de ônibus depois que os gastos com venenos e fertilizantes levaram sua produção à falência. Graças a um curso de agricultura orgânica, o descendente de poloneses teve a oportunidade de recomeçar a produção, que hoje em dia ocupa 16 hectares nas proximidades de curitiba.

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