REUTERS/Ruben Sprich
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Professor de Harvard diz que, no exterior, há mais preocupação com o Brasil

Ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kenneth Rogoff afirmou que, apesar de amigos brasileiros estarem otimistas, há mais preocupação em relação aos rumos do País no exterior

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 10h36

DAVOS - Presença certa no Fórum Econômico Mundial de Davos, o professor de economia da Universidade de Harvard e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kenneth Rogoff, afirmou nesta quarta-feira, 23, ao Broadcast que há uma grande diferença de percepção em relação ao novo governo brasileiro. Se internamente, há uma perspectiva acentuadamente otimista, há mais preocupação em relação ao rumo do País no exterior. Ele também acredita que a desaceleração da economia global pode ser "dura" para os países emergentes e, especificamente sobre o Brasil, previu que o País poderá sofrer os impactos negativos se a China continuar em seu processo de desaceleração da atividade.

"Meus amigos do Brasil estão extremamente otimistas, mas acho que tem muito mais preocupação no exterior. Percebi algum ceticismo sobre quão profundas serão as reformas", relatou ele, dizendo que não teve a oportunidade de ouvir o discurso do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, durante o evento nos Alpes suíços. "É difícil dizer. Ouvi as pessoas falarem, mas não ouvi o presidente", disse, acrescentando que detectou outros pontos de preocupação fora da pauta financeira, como no caso da Amazônia, por exemplo.

O professor prevê dias turbulentos para o País e outros emergentes em função da desaceleração econômica. "Acho que será muito duro para os emergentes. E, se a China continuar a desacelerar, será muito difícil para exportadores de commodities, como o Brasil", considerou. "Mas eu amo o Brasil e desejo o melhor para o País", garantiu. No início da semana, foi divulgado que a economia do país asiático cresceu 6,6% no ano passado, a menor expansão desde 1990, quando a taxa ficou em 6,8%.

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