Professora da PUC-RJ vê risco de queda de Mantega

A professora da PUC-RJ Monica Baumgarten de Bolle afirmou na manhã desta sexta-feira à Agência Estado que "o cargo do ministro Guido Mantega corre risco", com o fraco desempenho econômico neste ano, que, após a fraca expansão de 0,6% no terceiro trimestre, na margem, deverá registrar uma alta ao redor de 1% em 2012. "É possível que tenhamos um novo ministro da Fazenda no início de 2013", afirmou.

RICARDO LEOPOLDO, GUSTAVO PORTO, RENAN CARREIRA, CIRCE BONATELLI, GUILHERME WALTENBERG, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

30 de novembro de 2012 | 11h05

"A presidente Dilma Rousseff não vai querer entregar uma expansão média da economia menor do que a média do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em 2,7%. E para que esse patamar seja superado, será necessário que o PIB suba 3,8% no próximo ano, o que é muito difícil de ocorrer", destacou.

"O PIB e os investimentos no terceiro trimestre apresentaram resultados caóticos", disse. Monica destacou que o PIB em 2013 deve avançar entre 2% e 3%. "Nesse cenário de economia crescendo bem abaixo do potencial, o Banco Central deverá baixar os juros em mais 100 pontos-base no próximo ano", acrescentou.

O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que a alta de 0,6% no PIB "mostra que o crescimento continua sofrível" no País.

Giannetti lembra que o cenário é negativo para o crescimento do PIB nos próximos trimestres por conta da falta de investimentos. "Sem investimento não tem produção", afirmou.

Opinião diferente tem o diretor da área de negócios do setor público do banco JPMorgan, Aod Cunha. Para ele, apesar do baixo nível de crescimento da economia brasileira em 2012, o País ainda tem uma perspectiva positiva para os próximos anos. "É importante olhar a trajetória de crescimento de longo prazo. Nós continuamos acreditando que o Brasil é um país de grandes oportunidades", afirmou.

Mas concorda com a necessidade de investimentos. Segundo Cunha, o interesse de estrangeiros no País permanece, mas ponderou que é preciso realizar investimentos para a economia superar os gargalos nas áreas de infraestrutura e logística. "Esse é um desafio, mas também uma oportunidade (de investimentos)", disse.

O economista-chefe da MCM, Fernando Genta, por sua vez, disse que "é praticamente impossível que o PIB suba mais que 1,1%" neste ano. Segundo ele, para que isso ocorresse, a economia teria que avançar mais que 1,5% no quatro trimestre, na margem. Ele espera que o PIB avance perto de 1%.

Com as surpresas negativas exibidas pelo IBGE sobre o nível de atividade no terceiro trimestre, ele revisou sua projeção para o crescimento do País em 2012, de uma alta de 1,4% para uma elevação entre 1% e 1,1%. "Não existe mais a desculpa dos fatores externos afetando o PIB. A reação da economia não está ocorrendo, por causa de muitas incertezas internas, como a manutenção do tripé macroeconômico, as intervenções do governo em vários setores produtivos e até a inadimplência das pessoas físicas, que está em 7,9% há quatro meses", disse.

Genta ainda afirmou que o fraco desempenho do PIB no terceiro trimestre vai aumentar o debate no mercado sobre se o Banco Central voltará a cortar os juros em janeiro, na primeira reunião de 2013. "Este é o momento mais delicado do governo Dilma Rousseff na gestão da economia, com crescimento fraco em dois anos e alta inflação", destacou.

O economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Jankiel Santos, surpreendeu-se com os baixos desempenhos do setor de serviços e gastos do governo mostrados nas contas nacionais do terceiro trimestre. "O PIB foi surpreendentemente fraco e mais surpreendente ainda pelo setor de serviços rodando próximo de zero e os gastos do governo crescendo apenas 0,2%", estranhou.

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