Profissionais têm dificuldades para orientar clientes

Depois da dor de cabeça para tentar explicar aos seus clientes o porquê das perdas nos fundos de investimentos, gerentes e funcionários de atendimento de agências bancárias tornaram-se mais cautelosos para oferecer o produto. Numa sondagem feita em unidades dos principais bancos do País, em São Paulo, boa parte dos profissionais evitou sugerir fundos como forma de aplicação e preferiu Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) - títulos emitidos pelos bancos, que podem ser pré ou pós-fixados -, planos de previdência e a tradicional caderneta de poupança. Nas visitas, também ficou evidente a falta de preparo de alguns funcionários na orientação da operação. Para quem não tem familiaridade com o assunto, entender o "economês" dos gerentes não é uma tarefa fácil. Além disso, na maioria dos casos, os detalhes dos investimentos somente são esclarecidos se o investidor perguntar. Se o interessado não conhecer o produto, vai sair da agência sem saber dados importantes que mais tarde poderão lhe causar problemas e comprometer sua rentabilidade, como tempo de permanência na aplicação sem resgate ou existência de taxas sobre o montante investido. Aliás, este último é um dado que quase nunca é informado se o investidor não solicitar. Na explicação sobre o que ocorreu nas perdas dos fundos, os profissionais se mostraram mais preparados. Mas pecaram em um aspecto. Quando perguntados sobre a possibilidade de os fundos DI novamente perderem dinheiro, alguns afirmaram categoricamente que isso não irá mais ocorrer. Uma informação incorreta, segundo o diretor da consultoria Money Maker, Fábio Colombo. "As cotas podem ficar negativas, pois as carteiras têm papéis remunerados por taxa Selic mais um prêmio, que varia de acordo com o comportamento do mercado." O único que admitiu que essas carteiras podem perder foi o gerente do Banco Real. De acordo com sua explicação, o mercado está muito nervoso por causa das eleições presidenciais, o que poderá prejudicar a rentabilidade desses produtos. Por isso, sua indicação de investimento foi um CDB e um plano de previdência. Mas deixou claro que se tratava de uma aplicação de longo prazo. No Bradesco, o gerente descartou os fundos DI, afirmando que o produto não é atrativo e que sua rentabilidade fica atrás de outros tipos de aplicação. Ele foi incisivo ao tentar convencer que o CDB e um plano de previdência, chamado VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres), são as melhores opções do momento. Ao contrário dos outros bancos, mostrou todos os históricos de rentabilidade de fundos da instituição e fez inúmeras contas para comprovar a primazia de suas sugestões. O diretor de captações da instituição, Marcos Villanova, explica que a orientação do banco aos seus profissionais não exclui os fundos. Quanto à sugestão do VGBL, ele ressalta que trata-se de um produto de pecúlio e não de investimento. Já no Itaú, o profissional simplesmente listou vários produtos e explicou, mal, o que era cada um, sem dar orientação da melhor opção. Depois de certa insistência, indicou um mix entre DI e Poupança. O mesmo ocorreu no HSBC, que indicou um fundo de Renda Fixa e DI. Já o gerente do Banespa limitou-se a ler um relatório com alguns fundos do banco e estava mais interessado em vender uma conta corrente. Disse que havia recebido o material recentemente e que ainda não tinha conseguido se interar. Vale ressaltar que os gerentes que indicaram CDB em nenhum momento alertaram sobre a cobrança de CPMF a cada renovação do papel.

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