Profissional administra, mensura e avalia riscos

"É engraçado falar a respeito de ciências atuariais. Aposto que quase a totalidade das pessoas que estão lendo esta reportagem não sabem do que se trata a profissão", diz Fabrizio Zorzella Franco, de 20 anos, que atua como trainee da Ernst & Young (EY), cursa o sétimo semestre de ciências atuariais na Universidade de São Paulo (FEA-USP).

EDILAINE FELIX, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2015 | 02h07

Ele conta que também não tinha ideia até a metade do segundo ano do ensino médio, época em que soube a respeito de um jovem que, tendo acabado de concluir a faculdade, já tinha ganhos equivalente a de um profissional experiente de outras áreas do mercado. "Fiquei intrigado e resolvi me informar. Percebi que era interessante e diferente do que a maioria das pessoas faz, com uma perspectiva de boa remuneração e mexia com números, algo que eu sempre gostei."

Nos bancos escolares, o profissional é preparado para mensurar e administrar riscos, ocupando-se de cálculos relacionados a seguros, previdência e operações financeiras que envolvam riscos.

"As atividades do atuário concentram-se, basicamente, nos setores de seguros, previdência e capitalização e investimentos", diz a coordenadora do curso de Ciências atuariais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Elizabeth Borelli.

Franco diz que o ponto mais interessante do trabalho é poder aplicar o aprendizado obtido na faculdade. "De dezembro até março, fazemos auditoria de seguradoras e fornecemos suporte para a auditorias de indústrias e entidades fechadas de previdência complementar. Nos outros meses, realizamos diversos outros trabalhos de consultoria atuarial", diz.

O jovem estudante planeja crescer na empresa que trabalho. "Aliado a isso, tenho vontade de fazer um mestrado fora do País para solidificar meus conhecimentos acerca dessa ciência", diz ele.

"A formação de um atuário prevê maior ênfase na matemática, destacando-se a probabilidade e a estatística como base da investigação do risco", afirma a professora e vice-coordenadora do curso de ciências atuariais da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Ana Carolina Maia (foto abaixo).

De acordo com Ana Carolina, o estudante precisa ser criativo e, claro, gostar de lógica e matemática, sobretudo. Normalmente, ele vai aliar, já na atuação profissional, a teoria matemática a grandes bases de informações empíricas do seu segmento.

Sem obrigatoriedade. "Nenhum curso no Brasil possui estágio obrigatório, mas os alunos iniciam cedo seus estágios, diante da alta demanda do mercado por este perfil de profissional", diz.

Elizabeth Borelli, da PUC, diz que a demanda por profissionais de atuária vem aumentando, progressivamente, nos últimos anos, em função do aquecimento do mercado segurador e do crescimento das atividades de risco.

O campo de atuação pode se dar em empresas seguradoras, resseguradoras, bancos, consultorias, assessorias, empresas de auditoria, empresas de capitalização, previdência complementar aberta, previdência complementar fechada, planos de saúde e previdência de Estados e Municípios, avaliação de riscos, fiscalização de tributos federais, estaduais e municipais, além da área acadêmica.

"Já a partir do 2ºsemestre do curso, os alunos costumam ser contratados para estágios ou até mesmo como empregados em organizações da área atuarial", diz Elizabeth.

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