Profissional busca mais do que bom salário

Bom ambiente e reconhecimento são duas características importantes das companhias em que os colaboradores desejam ingressar

LARISSA FÉRIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2015 | 02h07

Um dos principais desafios enfrentados pelas empresas é oferecer atrativos que retenham os bons profissionais. Salários competitivos e benefícios já não são suficientes para manter um funcionário motivado e controlar o índice de rotatividade. Especialistas são unânimes em apontar que, para conquistar o comprometimento dos colaboradores, é fundamental fazer com que eles se sintam parte das empresas onde atuam e participem ativamente do negócio.

"As pessoas querem pertencer a um grupo, uma equipe, um projeto. Elas precisam se identificar com o que fazem e sentir que o seu trabalho é importante e tem um significado dentro da empresa", afirma Gilberto Guimarães, professor da BSP - Business School São Paulo.

O que faz as pessoas desejarem trabalhar numa determinada empresa é a imagem que se têm dela, a sua reputação. Se ao ser contratado a realidade for diferente da apresentada, o profissional parte em busca de outro desafio. "As empresas precisam olhar para os funcionários como se ele fosse um consumidor, sem ter uma postura marqueteira. Tem que ser sedutor e atraente, mas entregar aquilo que promete", afirma Paulo Bivar, sócio da Hub, consultoria estratégica de recursos humanos.

A perspectiva de crescimento e um salário atrativo são o principal chamariz de talentos, com 66,8% e 62,5%, segundo pesquisa realizada pelo Grupo Catho com 26.459 entrevistados em todo o Brasil. Do total, 65% estão empregados, sendo que quais 35,9% trabalham em empresas com mais de 500 funcionários.

Já fatores como um bom relacionamento com colegas de trabalho, reconhecimento profissional e desafios constantes são considerados peças-chave para assegurar que o funcionário se mantenha motivado e não deixe a empresa. "No momento da escolha por uma empresa, o salário é um aspecto forte na tomada de decisão, mas a manutenção desse desejo passa pela gestão. A pessoa precisa estar satisfeita com o trabalho que exerce", afirma Luís Testa, diretor de estratégia da Catho.

Liderança. Ter líderes e gestores capazes de transmitir os valores da empresa, delegar tarefas e dar feedbacks no momento adequado é o principal pilar para manter os funcionários satisfeitos. "A empresa é representada pela sua liderança. Quem não se preocupar em ter bons líderes está fadado ao fracasso", afirma Guimarães.

Segundo Testa, a incompatibilidade com líderes está entre os principais motivos de desligamento nas empresas. "O líder é o principal propagador da missão da empresa. Se o funcionário perceber que seu superior direto pode ser um obstáculo na sua carreira, ele vai procurar uma alternativa no mercado", afirma Testa.

Outro pilar essencial para que os funcionários fiquem satisfeitos é oferecer condições de trabalho adequadas, com recursos necessários para execução das atividades, como saúde, alimentação, ambiente e ferramentas apropriadas, até os mais complexos, como competência, autoestima e condições psicológicas. "A falta de condição mínima de trabalho gera frustração do tipo quero lutar, mas não posso", diz Guimarães.

Estabelecer uma comunicação clara com os funcionários é o terceiro pilar para manter os funcionários engajados. "É importante ter um plano de carreira claro para que o funcionário saiba que tipo de experiência ele precisa ter para ser promovido", afirma Bivar.

Um bom canal de comunicação entre funcionários e empresa pode gerar informações importantes para reter talentos. "Ao conhecer as expectativas e quais benefícios são mais valorizados por seus colaboradores, a empresa pode usar esse conhecimento como um diferencial", alega Testa.

Segundo a pesquisa da Catho, os benefícios mais valorizados pelos funcionários são assistência médica (74,6%), participação nos lucros (57,2%) e vale alimentação (52,4%).

"Os benefícios são muito valorizados pelos profissionais. Às vezes, a empresa não tem o melhor salário, mas tem um plano de previdência bom e academia. Um plano de saúde de qualidade é muito importante para quem tem família", afirma o consultor Bivar.

Outros benefícios que têm sido cada vez mais valorizados são o horário flexível e a possibilidade de trabalhar em casa, o home office. "É uma tendência que tem crescido bastante, principalmente por causa do problema da mobilidade urbana. Por ser uma mudança cultural, é preciso ter treinamento e disciplina", afirma Guimarães.

Reconhecimento. A retenção de colaboradores está intimamente ligada ao reconhecimento e à recompensa. "O reconhecimento deve ser sempre percebido como justo e justificado, senão o tiro pode sair pela culatra", diz Guimarães.

Ser reconhecido não significa apenas ter aumento de salário. O funcionário precisa ser envolvido em reuniões decisivas, transitar entre as diversas áreas da empresa e sentir que o seu papel é importante para a companhia. "A carreira é um projeto. E o profissional precisa se desenvolver para acompanhar o mercado. O medo de se tornar obsoleto, sem função, pode deixar o funcionário insatisfeito", afirma Bivar.

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