Profissional leva 20 anos para assumir o posto de embaixador

Exigência está prevista em lei federal, mas atuação em países que representam risco de vida pode reduzir tempo

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h08

Tanta dedicação na formação dos diplomatas já rendeu elogios aos representantes brasileiros nas negociações políticas e econômicas internacionais. "Temos uma das carreiras mais profissionais do mundo: 100% do nosso corpo diplomático é de funcionários concursados", enfatiza o primeiro secretário do Instituto Rio Branco (IRB), Márcio Rebouças. O IRB é responsável pelo curso de formação.

 

Para o coordenador de Política e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri, a diplomacia, assim como alguns funções de destaque no Banco Central e na Receita Federal são carreiras de excelência do Estado e devem ser ocupadas por quem estudou e tem formação para assumi-las.

 

"Infelizmente, nem sempre um embaixador é diplomata por formação, normalmente por questões políticas acabam nomeando alguns titulares que não passaram pelo Itamaraty. Eu discordo. Acho que o cargo deveria sempre ser ocupado por um profissional de carreira", comenta.

 

Um diplomata demora, no mínimo, 20 anos para se tornar embaixador. O tempo de espera está previsto em lei federal.

 

Os profissionais que optam por atuar em um país de difícil acesso ou que representem algum risco para a sua vida, podem obter ascensão na carreira mais rapidamente. "É recompensa pelo sacrifício que fez ao País", diz Rebouças. O Itamaraty divide os países de atuação em áreas A, B, C e D, sendo a última a mais complicada para representar.

 

Logo que se forma, o diplomata assume o cargo de terceiro-secretário. Na sequência ganha os postos de segundo e terceiro secretários, depois de conselheiro, ministro de segunda classe até chegar ao posto de embaixador.

 

História

 

O nome do instituto é uma homenagem ao Barão do Rio Branco, que teve forte influência na política externa brasileira. Entre muitas atuações, foi secretário particular na missão de negociação de paz com o Paraguai (1870/1871) e cônsul-geral em Liverpool (1876). No período que esteve a frente do Ministério das Relações Exteriores (1902-1912), foi responsável pela consolidação das atuais fronteiras do País, e pela modernização da chancelaria brasileira.

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