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Programa consome 15% do tempo do usuário doméstico

Democratização do acesso, falta de espaços públicos e facilidade de comunicação explicam fenômeno

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

A publicitária paulistana Cíntia Oliveira, 30 anos, três deles vividos intensamente no MSN Messenger, já passou uma noite inteira (de 22 horas às 5 horas) só batendo papo com alguns dos seus 309 amigos da rede. Hoje ela diz estar mais comedida. Acessa a internet três vezes por dia e não passa mais do que seis horas conectada. O tempo é dividido entre MSN, Orkut e e-mail, necessariamente nessa ordem.Cíntia não é uma estranha no ninho. Há pelo menos dois anos o brasileiro é o cidadão que mais gasta seu tempo na rede. Os franceses, os segundo colocados no ranking, não passam mais que 20 horas por mês. Pelos cálculos do Ibope Net/Ratings, os brasileiros já passam, em média, 23 horas por mês só na internet de casa. Em 2005, esse tempo era duas vezes menor. Em junho, programas como o Messenger tomavam 15% do tempo da navegação do usuário doméstico, ante 6% nos EUA , segundo o Ibope. Os americanos formam a segunda maior comunidade de Messenger do mundo.Há várias hipóteses que ajudam a explicar o fenômeno brasileiro. A democratização do acesso à internet e o barateamento da banda larga e dos computadores é uma delas. Na época (não tão distante) em que quase todo o acesso no Brasil era discado, quanto mais tempo se passava na internet, mais cara ficava a conta.Para o diretor de análise de mercado do Ibope, Marcelo Coutinho, o sucesso de programas como Messenger e o site Orkut escondem também a escassez de espaço público no Brasil. ''''Por conta da violência ou até da falta de espaço, a internet se transforma num lugar seguro e barato de socialização'''', diz.O Brasil também se destaca por ter uma população conectada proporcionalmente mais jovem que em outros países. Esse público é o grande fã dos comunicadores. De cada cinco usuários de Messenger, apenas um tem mais de 35 anos no Brasil.Nas baladas, não é raro ver recém conhecidos trocarem o endereço de MSN, em vez do velho telefone. Muitos garotos que dormem com o computador ligado no quarto checam novas mensagens antes mesmo de escovar os dentes. E esse comportamento é contagioso. ''''Eu entrei porque virou febre. Todo mundo estava lá e eu queria estar também'''', diz Cíntia.Por fim, a tão divulgada facilidade de comunicação dos brasileiros é outro argumento que parece fazer sentido. Segundo Coutinho, espanhóis, franceses e italianos, de onde provavelmente vem o gosto brasileiro por conversar, passam mais tempo em programas como o da Microsoft que os povos de origem anglo-saxônica.

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