Evaristo Sá/AFP - 11/8/2021
Evaristo Sá/AFP - 11/8/2021

Programas de economia de energia para grandes consumidores e residências devem começar em setembro

Ministério de Minas e Energia quer compensar financeiramente consumidores industriais e residenciais que aceitarem reduzir o uso de eletricidade voluntariamente; Bento Albuquerque, porém, descarta risco de racionamento

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 18h23
Atualizado 12 de agosto de 2021 | 20h00

BRASÍLIA - O governo pretende iniciar os programas desenhados para incentivar indústrias e consumidores residenciais a economizarem energia em 1º de setembro. Desde junho, o Ministério de Minas e Energia (MME) vem desenhando medidas voltadas para grandes consumidores que, voluntariamente, se disponham a reduzir ou evitar o consumo de energia em determinados horários. Mas, com o agravamento da crise, a pasta também planeja compensar consumidores residenciais que economizarem energia, o que provavelmente será feito por meio de descontos nas contas de luz.

Nesta quinta-feira, 12, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o modelo voltado para os grandes consumidores deve ser apresentado até o final de agosto. Na semana passada, a pasta abriu consulta pública sobre algumas regras para adesão da medida, que será voluntária para aquelas indústrias que aceitarem reduzir o consumo ou evitar por períodos de quatro a sete horas por dias. Em contrapartida, as empresas receberiam uma compensação financeira, que não está prevista na proposta divulgada pelo governo.

Em entrevista após participação em evento em Belo Horizonte, o ministro afirmou que a medida é fruto de um trabalho de cooperação com as indústrias e trará mais segurança energética e o uso de uma energia mais barata. "Até o final deste mês vamos apresentar um programa de resposta da demanda. O que isso significa? Que os grandes consumidores de energia e os residenciais também serão beneficiados, caso eles utilizassem a sua energia em horários pré-determinados e isso será muito bom para o sistema como um todo e para redução também do custo da energia", afirmou o ministro.

Já o programa voltado para consumidores de energia residenciais, que atingiria toda a população, está em estudos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A intenção é dar um “bônus” para aqueles que comprovarem que houve, de fato, uma economia de energia. Em entrevista ao Estadão/Broadcast publicada na última semana, o presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado Edio Lopes (PL-RR), indicou que o programa deveria ter início no próximo mês e se estender até dezembro, caso haja sinalização de uma melhora na situação hídrica.

Neste caso, o governo ainda não divulgou como seria a compensação financeira aos consumidores.  O mais provável é que seja feita em forma de abatimento das futuras contas de luz, após a comprovação da economia.

Racionamento

O ministro reafirmou que o governo não trabalha com a hipótese de o Brasil voltar a enfrentar um racionamento de energia e, apesar da crise hídrica nos principais reservatórios, afirmou que o País tem “oferta suficiente” de energia.

“Estamos adotando medidas para que não tenhamos problemas não só em 2021, mas nos anos subsequentes. Desde o ano passado estamos despachando usinas termelétricas para justamente preservar nossos reservatórios para que não tenhamos nenhum problema de possível apagão ou possível demanda superior a aquilo que possamos oferecer. Gostaria de tranquilizar também que temos oferta suficiente de energia”, afirmou.

O ministro afirmou que é necessário esperar que haja a recuperação dos reservatórios, mas que não ocorrerá “da noite para o dia”. Ele afirmou que a melhora da situação depende do volume de chuvas. “Se tivermos momentos mais difíceis por conta da afluência [quantidade de água que chega aos reservatórios], vamos ter medidas para isso, para que a gente possa enfrentar essa situação adversa e também para que não tenha esse tipo de problema nos próximos anos”, afirmou sem detalhar quais ações poderiam ser tomadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.