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Programa de repatriação se torna vital para cumprimento da meta

Segundo analistas, com frustração nas receitas, multa sobre recursos ilegais no exterior passa a ser fundamental

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2016 | 22h19

As receitas decepcionam e o governo está totalmente dependente do programa de repatriação de recursos para cumprir a meta que propôs, de fechar este ano com R$ 170 bilhões de déficit primário (que não inclui gastos com juros da dívida). Essa, em resumo, é a avaliação de economistas sobre os números apresentados no relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado nesta quinta-feira, 22.

Na avaliação do economista Felipe Salto, fica cada vez mais claro que a economia não está reagindo como se desejaria. “O que continua a preocupar é a dificuldade de geração de resultados fiscais primários melhores em meio a um quadro recessivo e em que a recuperação da atividade está demorando a dar as caras: a meta deste ano ainda não subiu no telhado, mas a meta do ano que vem, neste contexto, me parece bastante comprometida”, diz Salto.

A comparação do relatório desta quinta-feira com o anterior mostra que houve R$ 9 bilhões de frustração de receitas. Parte foi coberta pelos R$ 6,2 bilhões já conseguidos com a repatriação.

Para um analista que não quer ter o nome revelado, a evolução da receita sinaliza que a repatriação terá de cobrir entre R$ 6 bilhões e R$ 9 bilhões da meta. Nesse contexto, preocupa o fato de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, insistir em defender a inclusão de familiares de políticos no programa. A mudança estenderia o prazo final para adesão e geraria insegurança jurídica. “Nem todos se sentiriam confortáveis em aderir junto com parentes de políticos, cuja origem do dinheiro pode ter questionamentos”, diz um analista.

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