Programa prevê aportes de R$ 431 milhões para indústria de softwares

Plano também inclui a meta de investir R$ 40 milhões para acelerar startups desse segmento

Agência Estado,

20 de agosto de 2012 | 17h05

SÃO PAULO - O programa de desenvolvimento da indústria de software e serviços, o TI Maior, lançado nesta segunda-feira pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), prevê o desenvolvimento de softwares segmentados para os principais setores da economia. Segundo a apresentação do plano, o desenvolvimento se enquadra nos setores econômicos "estratégicos ou portadores de futuro". Entre as medidas estão o estímulo a centros de pesquisa e formação de redes acadêmicas e empresariais.

Os investimentos para o desenvolvimento de softwares segmentados, para o período de 2012 a 2015, somam R$ 431 milhões. As cifras estão divididas em R$ 25 milhões para educação, R$ 42,5 milhões para defesa e segurança cibernética, R$ 30 milhões para saúde, R$ 39,2 milhões para petróleo e gás, R$ 21 milhões para energia, R$ 55 milhões para setor aeroespacial e aeronáutico, R$ 12 milhões para eventos esportivos, R$ 20 milhões para agricultura e meio ambiente, R$ 18 milhões finanças, R$ 13 milhões para telecomunicações, R$ 12,6 milhões para mineração, R$ 40 milhões para computação em nuvens, R$ 43 milhões para mobilidade, internet e jogos digitais, R$ 50 milhões para computação avançada de alto desempenho e R$ 10 milhões em software livre.

Outra aposta do governo com o plano é no desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica, conhecidas como "startup". A meta é investir R$ 40 milhões para acelerar 150 empresas de software e serviços de TI até 2014, sendo 25% para startups internacionais localizadas no Brasil.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o faturamento do setor de TI, exceto Telecomunicações, cresceu 11,3% em relação a 2010, ultrapassando os US$ 100 bilhões em 2011, o que correspondeu a 4,4% do PIB brasileiro. Para 2020, espera-se que o setor movimente US$ 200 bilhões, com 10% deste sendo relativo às exportações.

Atualmente, o mercado brasileiro conta com 8.520 empresas, dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e à prestação de serviços. Das que atuam no desenvolvimento e produção de software, 94% são classificadas como micro e pequenas empresas.

Governo passa a priorizar software nacional, diz associação

A Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES) avaliou que o plano TI Maior marca o início de um processo de reposicionamento e mudanças nas diretrizes do Governo Federal para o setor. "Após 10 anos de uma política de governo focada na preferência e apoio irrestrito ao software livre, a ABES comemora a oportunidade do software nacional passar a ser a prioridade de uma política setorial", destacou a associação em comunicado.

A ABES informou esperar que a nova política consolide o foco no fomento ao software nacional, seja ele de código aberto ou proprietário. "O lançamento do Plano TI Maior pode resgatar a importância estratégica do setor de software para o Brasil e a necessidade de mudança do papel do Estado no fomento à inovação", declarou, na nota, o presidente da ABES, Gérson Schmitt.

Segundo o comunicado, a partir do anúncio do plano TI Maior, a ABES e as demais entidades do setor de software iniciarão o estudo da nova política setorial proposta pelo Governo. "Há uma expectativa no setor de contar com um governo mais parceiro, que use seu poder de compra para direcionar e fomentar a inovação e o software nacional, deixando no passado a posição de maior empresário, empregador e concorrente setorial para passar a assumir o papel de maior consumidor e fomentador de uma indústria", declarou Schmitt.

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