Projeção de comércio mundial da OMC cai com EUA

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou para baixo o crescimento do comércio mundial em 2007 e alerta para os riscos de um ressurgimento de medidas protecionistas. A projeção inicial seria de uma alta de 6% em volume. Mas com o desaquecimento na economia americana nos últimos meses do ano, provocada pela crise no setor de crédito do país, os números devem ficar abaixo do índice previsto. As novas projeções indicam um crescimento que ficaria entre 5% e 5,5%. Em 2006, o crescimento em volume havia sido de 8%. Em 2005, de 10%. Mas, para 2008, o clima ainda é de cautela, com números parecidos aos de 2007. "Foi um pouco alta demais a nossa previsão inicial para 2007", afirmou o diretor do departamento de pesquisas da OMC, Patrick Low, que participou hoje do lançamento de um relatório para comemorar os 60 anos da criação do atual sistema multilateral do comércio. No total, as exportações mundiais atingiram US$ 11,7 bilhões em 2006, com um crescimento nominal de 15%. Segundo dados da OMC, o comércio no primeiro semestre cresceu acima de 6%. Mas a desaceleração no segundo semestre e principalmente nos três últimos meses do ano devem ser sentidas. O maior consumidor do mundo - os Estados Unidos - teve um crescimento de suas importações em apenas 4% nos nove primeiros meses do ano, contra um crescimento de 11% em 2006. Para a OMC, já está claro que os americanos não terão em 2007 e possivelmente em 2008 o mesmo papel no crescimento da economia mundial e do comércio como tiveram no passado. ProtecionismoCom a economia mundial em um momento de incertezas, o diretor da OMC, Pascal Lamy, fez questão de advertir para os riscos de os governos adotarem novas barreiras ao comércio. "Temos de ficar atentos à pressão protecionista. Hoje, esse protecionismo pode ter efeitos catastróficos, ainda que eu confie na capacidade de líderes e sociedade em respeitar as regras (do comércio)", afirmou. As declarações foram feitas no dia seguinte aos comentários da candidata à presidência americana, Hillary Clinton, que afirmou que, se eleita, iria reavaliar a necessidade de seguir negociando uma abertura comercial na Rodada Doha.

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