Projeção de crescimento é menor do que a do BC

Na contramão do que vinham dizendo as principais autoridades do governo, o relatório de avaliação de receitas e despesas da União trouxe uma projeção relativamente modesta de crescimento para a economia em 2010. A estimativa, que é elaborada pela secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, passou de 5,5% para 6,5%. Até anteontem, segundo apurou a Agência Estado, a projeção enviada ao Ministério do Planejamento era de 6,8%.

Fabio Graner, Edna Simão / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

O número contraria as declarações públicas recentes do ministro Guido Mantega, que diz trabalhar com um PIB entre 6,5% e 7%, e do presidente Lula, que afirmou que o Brasil não cresceria menos que 7%. Também está abaixo dos 7,3% previstos pelo BC e dos 7,2% em média projetados pelo mercado. Procurada, a Fazenda não justificou a projeção colocada de última hora no documento que é encaminhado ao Congresso Nacional.

Para o economista-chefe do Banco Schain, Silvio Campos Neto, a projeção de 6,5% demonstra uma postura conservadora do governo para segurar a previsão de receitas. Com isso, o governo trabalharia com uma margem de segurança na política fiscal. "Vale a pena ser conservador quando se trabalha com números de receitas e despesas."

Outra razão possível está relacionada ao fato de o documento ter sido divulgado à véspera da reunião do Copom, que decidirá a taxa básica de juros. A Fazenda tem tido a postura de trabalhar com projeções de crescimento menores, negando a tese de um superaquecimento da economia.

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